GP reestrutura dívida da San Antonio

Fundo quer ganhar fôlego para recuperar capital investido há três anos; participação da GP na companhia foi avaliada em US$ 1 milhão

Patrícia Cançado, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

A administradora de recursos GP Investimentos deve anunciar hoje a conclusão da reestruturação da dívida de um de seus investimentos mais problemáticos: a San Antonio, empresa de prestação de serviços na área de petróleo e gás da qual é sócia. Originalmente de US$ 864 milhões, a dívida da companhia foi reduzida para US$ 671 milhões, após uma negociação iniciada em janeiro deste ano com 15 credores. Na sexta-feira, os fundos da GP e investidores que já estavam na San Antonio fizeram ainda um aumento de capital de US$ 112 milhões - a maior parte foi usada para amortizar os débitos.

Com a reestruturação, a GP espera ganhar fôlego para recuperar o dinheiro investido há três anos. Desde o estouro da crise financeira internacional, a San Antonio virou uma espécie de bomba-relógio para o fundo. As operações nos nove países onde atua não eram deficitárias. O problema estava na holding, que se endividou muito logo antes da crise para financiar aquisições.

"A perda foi muito alta. Mas, num negócio de private equity, só dá para saber se o investimento foi bom ou ruim no final", afirma Otávio Lopes, sócio da GP. "Com essa reestruturação, imaginamos um ganho expressivo. No cômputo geral, acredito que pode ser um bom investimento de longo prazo."

Antes do aumento de capital, a participação da GP na San Antonio foi avaliada em apenas US$ 1 milhão. O valor da participação do fundo no momento da aquisição era de US$ 114,5 milhões, de acordo com dados divulgados no relatório de resultados do segundo trimestre deste ano. A GP comprou a companhia por US$ 1,2 bilhão em 2007, valor que incluía a dívida. Após a reestruturação, essa cifra caiu para US$ 875 milhões.

A GP comprou a San Antonio exatamente um ano antes do estouro da crise financeira global. Na época, foi encarada como uma oportunidade ímpar. O investimento foi o primeiro fora do País e o maior já realizado individualmente pela GP. A aquisição também foi motivada pela tese de que o Brasil tinha ficado pequeno para o fundo. Com essa tacada, a segunda geração (Fersen Lambranho e Antonio Bonchristiano) queria seguir os passos de internacionalização dos fundadores do fundo (Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, também fundadores da AmBev). A crise, no entanto, frustrou os planos.

Há mais de um ano, os executivos da San Antonio tentam renegociar a dívida, reduzindo o valor total, a taxa de juros e alongando o tempo de pagamento. Em janeiro deste ano, a GP entrou diretamente para negociar com os credores, liderados por Citi e Crédit Agricole. "Neste ano, com a melhora dos resultados e das perspectivas para o setor, contatamos os credores para uma reestruturação definitiva, que passasse por uma capitalização", explica Lopes.

O prazo médio para o pagamento subiu para quatro anos. Anteriormente eram apenas dois. Do total da dívida, US$ 109 milhões foram convertidos em ações preferenciais que podem ser resgatadas pela San Antonio. O sócio da GP acredita que as ações serão resgatadas em um prazo máximo de dois anos. "Até lá, a San Antonio deve fazer uma nova captação e a situação de caixa vai melhorar", diz Lopes.

Promissor. Em agosto de 2008, a GP chegou a pedir o registro de abertura de capital da San Antonio na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Por razões óbvias, o projeto foi abortado. A GP não pretende vender as ações da companhia neste ano, mas com a melhora do cenário o plano pode ficar para 2011, na avaliação do sócio da gestora.

A San Antonio atua num setor promissor, especialmente no Brasil. Desde a entrada da GP, a companhia tem reduzido a dependência da Argentina, seu principal mercado e de onde ainda vem metade do faturamento. Atualmente, 20% vem do Brasil. Se a aposta vai dar certo, difícil prever. Como os sócios da GP gostam de repetir, esse jogo só acaba quando termina.

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