Grã-Bretanha cai ainda mais em recessão no 2º tri

A economia britânica encolheu bem mais que o esperado no segundo trimestre de 2012, prejudicada por tudo --desde um dia a mais de feriado até austeridade orçamentária e a crise da vizinha zona do euro.

DAVID MILLIKEN E OLESYA DMITRACOVA, Reuters

25 de julho de 2012 | 08h37

O ministro das Finanças, George Osborne, disse que o país tinha "problemas econômicos enraizados".

O Departamento de Estatísticas Nacionais informou que o Produto Interno Bruto (PIB) da Grã-Bretanha caiu 0,7 por cento no segundo trimestre segundo dados preliminares, a queda mais acentuada desde o começo de 2009 e um recuo maior que todas as previsões dos economistas consultados pela Reuters na pesquisa realizada semana passada.

Os números confirmaram que a Grã-Bretanha está presa em sua segunda recessão desde a crise financeira, com a economia encolhendo pelo terceiro trimestre consecutivo.

Isso ampliará a pressão sobre Osborne para colocar a economia em crescimento novamente, depois de uma crise que deixou muitos britânicos mais pobres, uma vez que o aumento dos preços e impostos mais altos consumiram pequenos aumentos salariais.

A libra esterlina atingiu o menor nível em quase duas semanas contra o dólar depois da divulgação dos dados, e os preços dos títulos do governo tiveram um rali diante da especulação de que o Banco da Inglaterra, o banco central, pode ter que fornecer mais estímulo econômico que o esperado.

"Esses dados são terríveis. Francamente não há nada de bom nesses números", disse o economista do Commerzbank Peter Dixon.

"É um período de atividade muito pior do que esperávamos", emendou.

OBSTÁCULOS

Economistas esperavam que o feriado público extra para marcar o Jubileu de Diamante da rainha Elizabeth reduzisse a produção em cerca de 0,5 por cento, portanto os últimos números sugerem que a economia também está contraindo numa base fundamental.

O Departamento de Estatísticas disse que é muito cedo para fornecer uma estimativa do efeito do Jubileu, mas alertou que isso e o clima muito úmido somaram "incertezas" aos cálculos da atividade econômica do final do trimestre.

A produção no setor de serviços da Grã-Bretanha --que equivale a mais de três quartos do PIB-- contraiu 0,1 por cento no segundo trimestre, depois de crescer 0,2 por cento nos primeiros três meses de 2012.

A produção industrial foi 1,3 por cento menor, enquanto construção --que responde por menos de 8 por cento do PIB-- contraiu 5,2 por cento, a maior queda desde o primeiro trimestre de 2009.

O PIB geral do segundo trimestre foi 0,8 por cento menor que um ano antes, o maior declínio desde os últimos três meses de 2009.

Antes dos dados desta quarta-feira, muitos economistas esperavam um retorno ao crescimento no terceiro trimestre, uma vez que as Olimpíadas de Londres oferecem um impulso por meio da venda de ingressos e gastos de turistas.

E alguns argumentam que o aumento dos níveis de emprego sugere que a economia está mais saudável do que os números do PIB sugerem.

Mas o quadro geral é ruim. Na semana passada, o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou sua previsão de crescimento para a Grã-Bretanha em mais do que para qualquer outra economia avançada, e alertou o governo e o banco central que eles precisarão repensar suas abordagens se a economia não conseguir se recuperar no começo do ano que vem.

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