AFP PHOTO / GREG BAKER
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Graças a chineses, Brasil registra alta de investimentos em 2017

Para 2018, economia global deve ver recuperação de fluxos, depois de forte queda no ano passado

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2018 | 14h52

GENEBRA - O Brasil registrou, em 2017, um aumento de 4% na entrada de investimentos externos. Ainda assim, perdeu uma posição no ranking dos principais destinos de apostas de empresas de todo o mundo. Os dados fazem parte de um informe publicado nesta segunda-feira pela Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad), às vésperas do encontro do Fórum Econômico Mundial em que o presidente Michel Temer tentará convencer executivos de que “o Brasil voltou”. 

O País terminou o ano em sétimo lugar, com US$ 60 bilhões, uma posição abaixo de 2016. Há dois anos, porém, o país recebeu US$ 58 bilhões. Em 2015, o Brasil havia sido destino de US$ 65 bilhões em investimentos. 

No ano passado, a liderança continuou com os EUA, com uma entrada de capital estrangeiro de US$ 311 bilhões. A China veio em segundo lugar, com US$ 144 bilhões, seguido por outros US$ 85 bilhões em Hong Kong. A lista dos principais destinos ainda mostra a Holanda no quarto lugar, com US$ 68 bilhões, Irlanda com US$ 66 bilhões e Austrália com pouco mais de US$ 60 bilhões. No geral, a Ásia voltou a ser o maior destino de investimentos no mundo. 

O aumento do fluxo ao Brasil marca uma retomada que, segundo a ONU, pode se intensificar em 2018. A entidade aposta em uma recuperação maior dos investimentos, atraídos por um mercado doméstico fortalecido diante de uma recuperação econômica.

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“Pode haver algum sinal positivo de recuperação de investimentos, por conta do crescimento que começa a ser retomado no Brasil. Isso pode atrair investimentos a uma economia de tamanho substancial”, afirmou James Zhan, diretor do Departamento de Investimentos da Unctad.

A avaliação da entidade é que a recuperação do mercado anulará em parte as incertezas políticas em um ano eleitoral. 

Em 2017, porém, o desempenho nacional foi garantido graças aos investimentos chineses. O Brasil, segundo a ONU, foi responsável pelas maiores aquisições na América Latina. Mas das dez maiores aquisições feitas por empresas estrangeiras no País, nove foram realizadas por empresas chinesas no Brasil. 

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O resultado ainda permitiu que a América Latina registrasse seu primeiro ano de alta nos investimentos desde 2012, com um aumento de 3% e um total de US$ 144 bilhões. Mas os volumes ainda estão 25% abaixo de seu pico. 

“2016 e 2017 mostraram que os investimentos chineses foram elevados e que empresas estavam agressivas, incluindo setores como serviços e tantos outros”, disse Zhan. “Foi no final de 2017 que houve uma política na China para pedir que empresas fossem cautelosas. China ainda tem a política de incentivar a ida de suas empresas ao exterior. Mas pede cautela e isso pode se aplicar ao Brasil”, alertou. 

Global. Pelo mundo, porém, a alta do Brasil e dos emergentes, com aumento de 2%, não se repetiu em outras regiões, principalmente entre as economias ricas. Entre esses países desenvolvimento, a contração foi de 27%. 

Os números revelam uma queda global de 17% em 2017, um tombo considerado como inesperado pelos analistas.  

Projetos de novos investimentos foram reduzidos em 32% no ano passado, atingindo seu menor volume desde 2003, com US$ 571 bilhões. 

Nos EUA, a contração foi de 32%, contra uma queda de 90% no Reino Unidos. No total, os investimentos chegaram a US 1,58 trilhão, contra mais de US$ 1,81 trilhão em 2016. 

Para 2018, a esperança da ONU é de que haja uma recuperação moderada do fluxo de investimentos. Mas, segundo Zhan, os riscos ainda são “abundantes”.

A estimativa é de que o volume investido volte ao patamar de quase US$ 1,8 trilhão. Entre os pontos positivos estão as taxas de crescimento das economias de Europa, Ásia e EUA. A ONU também projeta um bom desempenho dos preços de commodities e um maior apetite do setor privado.

Os riscos, porém, se referem às instabilidades geopolíticas, além do impacto de uma política e de uma retórica protecionista. Tudo isso, segundo a ONU, seria traduzido em ações restritivas e que poderiam ter consequências para os investimentos.

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