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Gradiente suspende produção de TVs

Atraso na entrega de produtos ao varejo chega a até 90 dias

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2015 | 00h00

Dois anos depois de ter comprado a marca Philco do grupo Itaú, tendo como meta se colocar entre os três maiores fabricantes de televisores do País, a Gradiente está enfrentando problemas para concretizar seus planos. Desde fins de julho, a fábrica da Zona Franca de Manaus (AM) está com linhas de produção paradas. A Gradiente admite a paralisação, mas atribui o problema a uma situação geral de mercado. Além disso, diz que apenas parte de sua produção está parada.Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, os funcionários estão em férias coletivas ou licença remunerada. ''''Às vezes aparece algo para fazer e eles chamam os funcionários por um curto período'''', diz Valdemir Santana, presidente do sindicato. Nas negociações, a empresa não dá previsão de quando a situação voltará ao normal. A Gradiente nega que tenha concedido férias coletivas ou licença remunerada e diz que vai retomar as atividades na segunda-feira.Segundo fontes ligadas à empresa, uma das causas da paralisação seria a falta de matéria-prima por causa de dívidas com fornecedores. Entre os fornecedores de componentes, a Samsung SDI, que fabrica tubos de imagem, teria suspendido as entregas para a Gradiente. Procurada pelo Estado, a Samsung não quis se pronunciar. A Gradiente diz estar negociando com a empresa.O desequilíbrio na produção também chegou ao varejo. No comércio, há redes de lojas que estão com entregas atrasadas há 90 dias.Eugênio Staub Filho, vice-presidente de Vendas e Marketing da Gradiente, rebate as informações. ''''A companhia enfrenta hoje os mesmos problemas que a indústria eletrônica de consumo no País atravessa,ou seja, demanda reduzida, preços em queda e concorrência exacerbada.'''' Segundo a Gradiente, foi suspensa apenas a produção de televisores com tubo, mas continuam sendo fabricados TVs de plasma e LCD, além de celulares.Segundo dados do último balanço publicado pela empresa, em 31 de dezembro do ano passado, a empresa teve um prejuízo de R$ 114,48 milhões. A receita líquida foi de R$ 1,381 bilhão.Para reverter a situação, dizem fontes do mercado, a empresa estaria negociando a venda da marca Philco para equilibrar suas finanças. Não é primeira vez que a Gradiente usa essa estratégia para dar a volta por cima. No passado, o presidente do conselho da companhia, Eugênio Staub, foi aplaudido pelo mercado quando vendeu a divisão de celulares para a finlandesa Nokia.Desta vez não são os escandinavos que estão na parada. Entre os prováveis candidatos a comprar a Philco estariam empresas chinesas com forte interesse em entrar no Brasil.Staub Filho disse que não comenta especulações de mercado. Mas afirmou que a empresa tem muitos ativos e que, desde o início deste ano, iniciou um programa para adequá-los às necessidades da companhia. ''''Esse programa está em andamento e é coerente com o nosso projeto de redução do endividamento'''', disse Staub Filho.Além de vender ativos, a empresa está apostando na recuperação de mercado com os televisores digitais. A estréia da nova tecnologia no País está prevista para dezembro. A Gradiente que já vendeu televisores oferecendo aos consumidores o conversor da TV de digital de brinde - quando ela vier a funcionar -, está animada com a nova tecnologia.''''A introdução da TV digital no País representa uma grande oportunidade no setor de televisores'''', disse Staub Filho. Ele afirmou que a companhia tem um programa ambicioso de lançamentos de equipamentos para a TV digital que será divulgado em breve.

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