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Gradiente volta ao mercado após 5 anos

Empresa, que chegou a deter 15% do mercado de áudio e vídeo no País, renegociou a dívida e ganhou novos sócios, como a Petros e a Funcef

Márcia De Chiara,

27 de abril de 2011 | 00h33

Depois de quatro anos fora do mercado, a quase cinquentenária marca nacional de eletroeletrônicos Gradiente planeja voltar para o varejo no último trimestre deste ano.

"No começo parecia tarefa difícil, e durante, também", disse ontem Eugênio Staub, de 70 anos de idade, o fundador da companhia que se encontra em recuperação extrajudicial desde 2006, ao anunciar a conclusão do processo de reestruturação da empresa e de renegociação das dívidas. Entre bancos, fornecedores e fisco, a empresa contabiliza atualmente um passivo de R$ 520 milhões.

A antiga Gradiente, que detinha cerca de 15% do mercado brasileiro de áudio e vídeo há cinco anos, quando entrou em crise financeira, reaparece repaginada no País. Agora, a empresa é formada por quatro investidores - três ligados a empresas públicas e um parceiro privado -, sob a denominação CBTD.

O negócio recebeu aportes da Agência de Fomento do Estado do Amazonas, da Petros (fundo de pensão dos empregados da Petrobrás), da Funcef (fundo de previdência dos funcionários da Caixa) e da empresa americana Jabil, fabricante de eletroeletrônicos. A Jabil está no País desde 2001, produzindo para outras marcas do setor.

Juntos, os quatro investidores vão aplicar R$ 68 milhões na companhia, com aporte de R$ 17 milhões cada. Com isso, ficarão com 60% da CBTD. Os 40% restantes, de acordo com Staub, presidente do conselho de administração da nova empresa, ficarão divididos entre a família Staub, controladora da antiga Gradiente, e os cerca de 2 mil acionistas minoritários.

Eugênio Staub Filho, um dos negociadores da reestruturação e membro do conselho da nova empresa, explicou que a família Staub e os minoritários entraram no negócio sem aporte de capital. A contribuição foi o arrendamento da marca, avaliada em US$ 223 milhões, da fábrica e de outros ativos por nove anos para a nova companhia. A receita do novo negócio será usada para quitar dívidas, também renegociadas por nove anos.

No vermelho

R$ 520 mi

é o valor total das dívidas que a Gradiente ainda precisa pagar para fornecedores, bancos e ao Fisco

PARA LEMBRAR

Empresa parou de produzir em 2007

Os últimos anos não foram fáceis para a Gradiente, que mergulhou numa crise profunda há cinco anos e foi obrigada a interromper a produção de aparelhos de áudio e vídeo em sua fábrica de Manaus, em 2007.

No mesmo ano, o fundador Eugênio Staub deixou a presidência e foi substituído pelo executivo Nelson Bastos, que tinha a missão de tornar a empresa lucrativa. Sem sucesso, Bastos foi destituído do cargo e Staub voltou à presidência em maio de 2008, decidindo conduzir o processo de reestruturação e renegociação das dívidas.

Assessorado pelo Bradesco BBI, pelo consultor George Schulhof e pelos escritórios de advocacia Souza, Cescon, Barrieu & Flesch e Renato Mange, a reestruturação se arrastou por vários anos. Entre renegociação das dívidas e a formação da nova estrutura societária, foram fechados 14 contratos.

Nesse meio de tempo, várias hipóteses foram cogitadas para reerguer a empresa. Uma delas foi a entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como financiador dos credores. Depois de muita demora, o BNDES disse que operação de salvamento da Gradiente não fazia parte do objetivo do banco. Também circularam informações de que empresas chinesas estavam estado interessadas na Gradiente - o que também não se confirmou.

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