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Grampos indicam ação de doleiro em doação política

Ex-deputado teria participado de encontro para receber R$ 450 mil

Roberto Almeida, O Estado de S. Paulo

27 de março de 2009 | 21h45

Cinco grampos capturados pela Polícia Federal durante a Operação Castelo de Areia descrevem o que seria um encontro entre o ex-deputado Prisco Viana (PSDB-BA) e doleiros, viabilizado por executivos da Camargo Corrêa, para entrega de R$ 450 mil em dinheiro. As interceptações descrevem, passo a passo, como teria sido a reunião, a entrega e a confirmação da ação.

 

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Viana, que concorreu ao governo baiano em 2002 pelo PMDB - eleição vencida por Paulo Souto (DEM)-, negou o encontro. Ele afirmou apenas ter conhecido "o dono da construtora". "Não estive lá, absolutamente", disse. "Não tenho nenhuma ligação com eles, não conheço ninguém de lá."

Segundo os federais, a movimentação para o encontro envolveu Pietro Bianchi e Fernando Gomes, executivos da empreiteira presos pela PF durante a operação, além de Bruno Ferla, conselheiro da companhia, e Kurt Pickel, suposto intermediário da Camargo Corrêa com doleiros, também preso pelos federais.

 

O primeiro contato sobre a operação ocorreu em 9 de abril de 2008. Às 15h55, Bianchi e Gomes conversaram sobre valores que Pickel deveria entregar à empreiteira. De acordo com os federais, a cifra cogitada é de R$ 450 mil. "4-5-0 nacional", avisou Bianchi.

 

Na manhã de 10 de abril, data do encontro, Bruno Ferla procura saber de Bianchi se "os documentos" iriam estar à disposição às 14h30. Ao que Bianchi responde: "É, o cara vai chegar duas ou duas e meia." E avisa: "Tudo bem, depois de você liberar, a gente entrega o dinheiro." Para os federais, trata-se do valor viabilizado por Pickel.

 

No exato momento em que os supostos emissários chegam ao encontro, Pickel avisa Pietro Bianchi de que mandaram que entrassem "pela garagem". E pede que o executivo desça para "dar uma olhada". "Prisco Viana tava lá...", intervém Bianchi. "Prisco Viana está lá esperando eles lá na portaria."

De acordo com a PF, foram utilizados dois veículos para fazer a entrega. Um Gol vermelho e um Vectra preto.

 

Duas semanas depois, um novo grampo aponta para possíveis desdobramentos da operação. Às 16h42 do dia 29 de abril, Bianchi entra em contato com Fernando Gomes e falam supostamente sobre a entrega a Prisco Viana. Gomes diz que não "se sentiu confortável" e "mudou". Fala em "sexto sentido". "Não pergunta por quê. É sentimento", avisou.

 

No dia 26 de maio, o nome do ex-deputado voltou a ser citado por Bianchi e Gomes em chamada interceptada pela PF. "O Prisco tá dizendo que chegou lá, né? Três, né?", pergunta Bianchi a Gomes, que confirma a operação. Os executivos da empreiteira ainda citam o que seria uma operação "pesada" para Curitiba, que também seria realizada por Pickel.

 

Prisco Viana, que chegou a ser ministro do Meio Ambiente e da Habitação no governo José Sarney (1985-1990), ironizou as conversas mantidas pelos executivos da empreiteira. "Com toda a sinceridade, eu não recebo doação nenhuma... Eles doam, doam e eu só fico doído." COLABOROU TIAGO DÉCIMO

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