Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Grande adesão à greve pode ter impacto nas reformas, diz cientista político

Para Cláudio Couto, da FGV, protestos tiveram sucesso e houve confusão na avaliação feita pelo governo

Eduardo Laguna, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2017 | 18h14

O cientista político e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Cláudio Couto considera que a greve convocada para esta sexta-feira, 28, por centrais sindicais teve grande adesão e foi bem-sucedida. 

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Para ele, o movimento tem potencial de influenciar a votação das reformas encaminhadas pelo governo ao Congresso, embora seja difícil fazer um prognóstico sobre qual será esse impacto.

"A paralisação foi grande, principalmente no transporte público, que causa um efeito em cadeia, e na área de educação, que tem efeito na percepção das famílias", avalia o especialista.

Para o cientista político, há uma "confusão cognitiva" em análises feitas por autoridades ou durante a cobertura da imprensa que compara a greve desta sexta-feira com as manifestações contra o governo realizadas nos últimos anos. Segundo ele, diferentemente de uma manifestação, não se pode medir a força de uma greve pelo número de pessoas nas ruas, já que seu objetivo é justamente fazer com que as pessoas não saiam de casa.

Couto criticou ainda as declarações dadas pelo prefeito de São Paulo, João Doria, que, em entrevista à rádio Jovem Pan, chamou os grevistas de preguiçosos e vagabundos. O professor da FGV diz não ser contra as reformas - alvo da greve de hoje -, mas classificou como "asneira" a declaração do prefeito. 

"Chamar grevista de vagabundo é não reconhecer a greve como instrumento usado pelos trabalhadores para pressionar quem toma decisões contra eles. Fazer essa comparação é o mesmo que dizer que quem está hospitalizado não quer sair da cama. É uma tentativa de desqualificar a luta política".

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