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Grande aposta do governo é a retomada da economia

Planalto poderá ter de assumir a necessidade de medidas mais amargas para fechar as contas em 2017

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2016 | 22h18

A coincidência de data do afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff com o envio ao Congresso do Orçamento de 2017 e o anúncio de mais um trimestre de queda do Produto Interno Bruto (PIB) está revestida de simbolismo. Afinal, o descontrole das contas públicas está por trás das manobras contábeis que serviram de argumento para o afastamento de Dilma. E o desastre econômico alimentou as forças em favor do impeachment.

Há um ano, quando o governo previu, pela primeira vez na história, orçamento com déficit de R$ 30,5 bilhões, a reação foi tão negativa que o País perdeu, nove dias depois, o grau de investimento. Agora, a equipe do presidente Michel Temer apresenta uma peça orçamentária prevendo rombo de R$ 139 bilhões nas contas em 2017, mas o ambiente de confiança numa correção da política fiscal abafou o impacto do anúncio de um déficit dessa magnitude.

Às vésperas das eleições municipais, Temer e sua equipe econômica colocaram a maior parte de suas fichas na retomada da economia sobre a arrecadação de impostos e contribuições. Na ponta do lápis, a conta de R$ 26 bilhões a mais em receitas de tributos, se não se concretizar, empurrará o governo para medidas de alta de tributos até o fim do ano – movimento que o governo rejeita, mas que é esperado por boa parte dos especialistas em contas públicas.

Até o final do ano, muita coisa pode mudar. A votação da Lei Orçamentária ocorre em dezembro, após intensa negociação parlamentar, que inclui a possibilidade de mudanças nas previsões de receitas, despesas e dos parâmetros econômicos que embasaram o projeto. Até lá, as eleições municipais já terão passado e o governo poderá ter de assumir a necessidade de medidas mais amargas para fechar suas contas em 2017.

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