Grande parte da população depende do Bolsa Família

São 2.044 famílias cadastradas no programa na cidade, cujo maior empregador formal é a prefeitura, com 322 servidores

O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h04

O açude instalado entre os pequenos municípios de Nordestina e Queimadas, no sertão da Bahia, completou 80 anos em 2012. Nunca tinha secado - até agora. Depois de quase três anos sem chuvas consistentes, o açude ficou pela primeira vez sem uma gota d'água no início de 2013. Metade das cabeças de gado de Nordestina, cerca de 2,5 mil animais, morreu de inanição nos últimos 12 meses. A chuva só voltou a ganhar força nos últimos dias, e trouxe junto dela a notícia de que os habitantes de Nordestina estavam pisando sob uma mina de diamantes.

"As crianças de 3 anos estão assustadas com a chuva, algo que elas nunca viram na vida. E os velhos de 70 anos estão assombrados com o fato de que a terra onde eles sobreviveram toda a vida têm a maior mina de diamantes da América", disse ao Estado o prefeito de Nordestina, Wilson Araújo (PSD).

Dos 12,4 mil habitantes de Nordestina, pouco mais de 10 mil dependem integralmente do Bolsa Família. Ao todo são 2.044 famílias cadastradas no programa na cidade. A maior parte dos moradores vive na zona rural - são 8,4 mil pessoas, sobrevivendo com a produção do sisal e do gado que não cedeu à seca. A prefeitura é o maior empregador formal, com 322 servidores. Há, ainda, cerca de 600 pessoas que vivem do garimpo de ouro, clandestino.

"O Bolsa Família mudou tudo, agora nós temos uma vida mais tranquila. A seca está brava, mas eu estou contente: vivi o suficiente para ver que existe mesmo diamante aqui na minha cidade", disse o pequeno agricultor Antônio dos Santos, 83 anos. Ele perdeu 35 das 105 cabeças de gado que tinha, mas aposta que, com a chuva e os empregos que o diamante pode gerar, seus netos e bisnetos terão uma vida melhor.

A descoberta não surpreendeu os moradores. "A mineradora está nas terras onde ficava a roça do antigo prefeito Nélio Amambaía. Todo mundo via o Nélio falando em diamante e, vez por outra, ele deixava a cidade rumo às feiras de municípios maiores para vender umas pedrinhas", contou Luílton Ferreira, dono do único estabelecimento para corte de cabelo em Nordestina.

A mineradora Lipari adquiriu as terras há seis anos dos herdeiros de Amambaía, já falecido. De lá para cá, a multinacional obteve 12 alvarás de pesquisa com o governo federal, além de uma guia de lavra, que permite iniciar a operação em caráter experimental antes da concessão final, e já teve um relatório final de pesquisa aprovado em Brasília. A empresa belga já investiu R$ 60 milhões na área, e planeja aplicar outros R$ 30 milhões neste ano para acelerar as pesquisas e preparar a mina, que futuramente terá 340 metros de diâmetro e 250 metros de profundidade.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.