''''Grande risco para o Brasil é a crise externa''''

Para Castro, expansão em 2008 está mais para 6% do que para 5%, mas turbulência externa pode reduzir o ritmo

Márcia De Chiara, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2007 | 00h00

O economista Paulo Rabello de Castro, sócio da RC Consultores, acredita que o País voltou a crescer de forma vigorosa por causa do "cansaço da estagnação". Durante muito tempo, diz, a vontade de crescer ficou represada e agora, com a queda dos juros, se manifestou. Ele diz que o ciclo atual é sustentável, mas a crise financeira internacional é um fator de risco. O resultado do PIB do terceiro trimestre surpreendeu?A RC Consultores já esperava um surto de crescimento que tinha tudo para se configurar nos números. Na semana passada, tínhamos reavaliado o PIB de 2008 para 5,2%. Agora achamos que essa taxa está mais para 6% do que para 5%.Esse crescimento se sustenta?Trata-se de um crescimento com alto grau de sustentabilidade. Não há razão alguma para se esgotar agora porque decorre de um grande impulso e tem razões virtuosas.Há riscos nesse crescimento previsto para 2008?O grande risco é a economia internacional. Há uma crise monetária e financeira internacional localizada nas contas financeiras dos Estados Unidos que está sendo até bem administrada, mas cujo tamanho é enorme. Isso pode ter um efeito de contágio em outras economias, inclusive a da China, que está superaquecida há bastante tempo. Se tiver uma desaceleração da economia mundial, não haverá uma crise desastrosa, mas, fatalmente, via câmbio, deve moderar essa projeção de crescimento para 2008.Quais seriam essas razões virtuosas do crescimento até agora?A primeira seria o altíssimo nível de investimento, altíssimo em termos da mediocridade brasileira. O ciclo atual de crescimento não está baseado no endividamento externo, como foram os anteriores.Há semelhanças entre o ciclo atual e a época do milagre econômico, nos anos 70?Há semelhanças, embora existam grandes diferenças. As semelhanças são que na época do milagre o Brasil conseguiu fazer um aumento do investimento com poupança interna. Acho que hoje a poupança privada brasileira deve ter aumentado bastante. Outra semelhança importante é a expansão do crédito. Na época do milagre, o crédito era vigoroso. Embora o crédito esteja hoje na casa de 30% do PIB, há uma subestimativa desse número, pois uma boa parte do crédito das empresas não passa pelos bancos. Há diferenças de hoje em relação à época do milagre?No milagre tínhamos um conjunto de reformas que possibilitava a instrumentação do ciclo de crescimento.E agora?Agora temos o cansaço da estagnação. Durante tanto tempo acumulou-se vontade de crescer que, assim que os juros baixaram, o crescimento ocorreu. O que, no fundo, está fazendo com que os empresários invistam é a queda da taxa básica, de 15% ao ano para algo em torno de 11%.

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