Grande SP lança R$ 33,3 bilhões em 2013

Cifra se refere a toda a Região Metropolitana e corresponde a 37% do total do valor geral de vendas colocado à disposição em todo o Brasil

Heraldo Vaz, ESPECIAL PARA O ESTADO,

29 de maio de 2014 | 08h25

SÃO PAULO -  Responsável por 37% do valor geral de vendas (VGV) de tudo o que foi lançado no Brasil no ano passado, a Região Metropolitana de São Paulo somou R$ 33,3 bilhões, com aumento de 17% em relação a 2012. Foram colocados no mercado 497 empreendimentos – residenciais (85%) , comerciais (12%) e hotéis (3%) – com 68.749 unidades.

Os dados são do Anuário do Mercado Imobiliário Brasileiro, divulgado pela Lopes neste mês. Além da capital, que concentrou 73% do valor total de lançamentos (R$ 24,3 bi), destacam-se os municípios de São Bernardo, Guarulhos, Osasco e Santo André com VGV acima de R$ 1 bilhão.

Agora em 2014, quando o prêmio Top Imobiliário chega à sua 21ª edição, os lançamentos recuaram 26% na capital, para 3.908 apartamentos no 1º trimestre. As vendas caíram mais: 45%. Em nota, o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi) de São Paulo, Claudio Bernardes, diz que o mercado "precisa reagir e retomar vendas no patamar de 30 mil unidades por ano".

Para isso, seria necessário comercializar 2.500 por mês. As vendas acumuladas – 3.755 unidades de janeiro a março –, com média de 1.251 por mês estão 50% abaixo dessa meta. O 1º trimestre é mais fraco do que os demais, diz o diretor da consultoria Unitas e professor titular de Real Estate da Poli-USP, João da Rocha Lima Jr.

"A queda de 45% mostra tendência de que este será um ano muito mais difícil no desempenho de vendas." Segundo ele, fatores relevantes para esse quadro são "as expectativas frágeis da economia", com baixo crescimento do PIB e inflação em alta. "Compra de habitação é decisão de risco elevado. A família, além da entrada de 30%, compromete 25% do seu orçamento familiar, quando financia os 70% restantes, durante 20 a 30 anos", afirma . "Uma tendência é retardar a decisão de compra, até que a família se sinta mais segura quanto aos riscos."

O diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), Luiz Paulo Pompéia, diz ser "a primeira vez, nos últimos 10 anos, que há redução na produção e nos preços". De acordo com ele, o mercado é cíclico, "uma hora em cima e outra embaixo", dependendo muito da "saúde da economia". Se começa a cair, segundo ele, o reflexo é quase imediato.

Ele diz que número de unidades será menor que em 2013. Pompéia também acredita que boa parte da demanda reprimida do setor foi atendida. "O investidor se tornou mais criterioso na compra do produto, porque o risco do mercado imobiliário está mais alto do que outros investimentos, tendo em vista a queda de vendas", diz. "Com isso, vem diminuindo a participação do investidor, o que colabora para a queda da produção."

Especializado em finanças pessoais, Fabio Gallo, professor da Fundação Getúlio Vargas e colaborador do Estado, prevê que o setor vai vender menos que em 2013. "Como tendência em São Paulo, o valor real dos imóveis será mantido até o final do ano", diz. "O preço nominal cresce pouco e vai acompanhar a inflação."

Pontualmente, segundo ele, algumas localidades sofrerão mais pressão. "A curva do aumento de preço nominal tem desacelerado desde 2012, e algumas regiões de São Paulo apresentam decréscimo no valor nominal."

O diretor de operações do Zap Imóveis, Caio Bianchi, diz que a maioria dos agentes vê acomodação de preços. "É uma flutuação, o fim de um ciclo." Ele destaca que o índice FipeZap, que começou em 2008, "tem correção de 203% em São Paulo". Para ele, a "flutuação deve empatar com a inflação" neste ano.

 

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