Grande volume de recompra de ações

O mercado acionário brasileiro tem assistido a um grande volume de ofertas públicas para recompra de ações. São operações onde o controlador de uma companhia faz uma oferta para comprar os papéis em posse dos outros investidores.Do início do ano até agora, foram 24 operações feitas ou anunciadas. Uma delas é a oferta da Telefónica da Espanha para a troca de ações da Telesp e Tele Sudeste Celular por Brazilian Depositary Receipts (BDRs) da empresa espanhola. Outro exemplo que atinge muitos investidores é a intenção da Portugal Telecom em recomprar as ações ordinárias - ON, com direito a voto - da Telesp Celular.De acordo com Waldir Luiz Corrêa, presidente da Associação Nacional dos Investidores de Mercado de Capitais (Animec), os controladores que adotam essa estratégia atualmente estão aproveitando o preço baixo das ações para aumentar a participação nas companhias. Corrêa acredita que, com um mercado acionário estável, com cotações em patamares mais justos, essas empresas voltarão ao mercado oferecendo as mesmas ações recompradas, porém com preço 40% a 50% superior. "Trata-se de uma perda injusta para o investidor minoritário", explica. Veja como é feito o cálculo do preço de recompra das ações O preço oferecido para a recompra dos papéis é um dos pontos mais polêmicos na opinião dos analistas. Para conseguir a adesão dos investidores, as controladoras oferecem um preço com um pequeno ganho em relação à cotação atual do papel. Porém, reclamam os representantes dos minoritários, o preço está abaixo do que o papel poderia alcançar no longo prazo. "O investidor vê uma pequena possibilidade de ganho e vende o papel", explica Júlio Ziegelmann, diretor de renda variável da BankBoston Asset Management. A adesão à recompra acaba levando a maioria dos investidores. Aqueles que pensam no longo prazo também são obrigados a vender o papel para não ficar com um ativo de baixa liquidez - facilidade de negociação.Para Corrêa, o que realmente prejudica o preço do papel e, consequentemente, o ganho do investidor é a forma como o preço é estipulado. Isso porque, para defini-lo, a controladora leva em conta pregões passados e não a perspectiva de quanto a ação vai valorizar no futuro. Nova Lei das SAs. traz algumas melhorias Pela nova Lei das SAs. - que foi aprovada ontem pela comissão de finanças e tributação da Câmara e segue para votação no plenário da Câmara na próxima semana -, o preço de oferta do leilão será definido de acordo com o valor econômico da empresa. Ou seja, pelo quanto ela pode valorizar. Para isso, a controladora vai escolher três avaliadores. Um deles, apontado pelos minoritários, irá definir o preço final.De acordo com Ziegelmann, a proposta de alteração das Lei das SAs. tem uma falha nesse ponto. De acordo com o executivo, todos os avaliadores deveriam ser escolhidos e cadastrados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). "Isso evitaria favorecimentos", explica.Veja na seqüência a opinião dos analistas sobre essa situação.

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