Grandes centros sentiram mais efeito recente do câmbio

Estudo divulgado nesta sexta-feira pelo pesquisador da Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Picchetti, mostrou que o efeito da desvalorização do dólar no Brasil está sendo mais sentido nos grandes centros econômicos brasileiros do que em regiões mais afastadas ou de porte menor.O levantamento tomou como base a variação de preços do grupo Produtos Comercializáveis, que tradicionalmente sofrem maior influência do câmbio, medidos pelo Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em sete capitais brasileiras.De acordo com o economista, que coordena o índice na capital paulista, há um movimento de aceleração na queda nos preços destes produtos, desde o final de dezembro de 2006, nos grandes centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, diferente do que foi verificado nas cidades de Recife e Salvador, onde os preços, inclusive, continuam em alta.Entre os produtos comercializáveis de maior destaque nesta pesquisa estão eletroeletrônicos, artigos de vestuário, alimentos industrializados, produtos de higiene e limpeza, móveis e automóveis.Em São Paulo, por exemplo, os comercializáveis encerraram 2006 com variação positiva de 0,25% e, depois de inverterem esta tendência, chegaram à mais recente apuração de preços do IPC-S - referente aos últimos 30 dias encerrados em 22 de fevereiro de 2007 - com recuo de 0,23%. No Rio de Janeiro, neste mesmo intervalo analisado, os preços passaram de uma elevação de 0,32% para um declínio de 0,26%.Com comportamento oposto, os preços dos comercializáveis em Recife fecharam 2006 em baixa de 0,13% e chegaram na terceira apuração de fevereiro com elevação de 0,26%. Em Salvador, o movimento não foi tão intenso, mas a variação passou de 0,09% para 0,05%, o que pode ser interpretado como estabilidade nos preços."São Paulo pega muito bem, nestas últimas semanas, este movimento de apreciação do câmbio, pois o grupo vinha apresentando uma variação positiva no final do ano passado e, quando chegamos a janeiro, ela fica negativa e acelerando", exemplificou o economista, citando que um movimento parecido ocorreu em outras capitais do País, como Rio de Janeiro e Brasília. "Mas, quando pegamos para analisar as duas capitais do Nordeste que aparecem no nosso índice (Salvador e Recife), a história é outra: há uma elevação nos preços destas cidades", complementou.Movimentos opostosNa avaliação de Picchetti, existem diferenças de várias dimensões entre os mercados, que geram estes movimentos, muitas vezes, completamente opostos. "Há diferentes graus de monopólios das principais cadeias distribuidoras, diferenças climáticas das regiões e diferentes relações destas regiões com o mercado externo, ou seja, graus diferentes de penetração de produtos importados nas diferentes regiões ou capitais do País", explicou.E acrescentou: "Por exemplo, o peso de eletrodomésticos numa capital do Nordeste é menor do que numa capital do Centro-Sul do País. Porque lá existe uma renda per capta menor e uma despesa maior, em termos relativos, com alimentação, por exemplo."Segundo Picchetti, é difícil prever se o comportamento dos preços dos comercializáveis de Recife e Salvador se igualará ao de São Paulo e Rio de Janeiro, justamente por conta do grande número de fatores que distinguem essas regiões. "Pode demorar mais um pouco e pode simplesmente não ser na mesma intensidade", destacou.as regiões têm diferentes ponderações relativas e ao mesmo tempo, por condições locais de mercado, é razoável assumir que elas também têm diferentes graus de abertura ao comércio de itens importados", analisou o economista. "Com tudo isso traduzido, teríamos diferentes taxas de variações potenciais de preços do grupo de comercializáveis", finalizou.

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