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Grandes consumidores deram 'ajuda'

ONS também pediu a grandes empresas para reduzir a pressão sobre o sistema elétrico ontem, por causa do excesso de demanda

ANDRÉ MAGNABOSCO, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2015 | 02h01

O Operador Nacional do Sistema (ONS) elétrico também recorreu aos grandes consumidores de energia para reduzir a pressão sobre o sistema nacional na tarde de ontem. De acordo com uma fonte ouvida pelo 'Broadcast', a determinação ocorreu no meio da tarde, no mesmo momento em que as distribuidoras eram informadas pelo operador sobre a necessidade de reduzir a distribuição de energia. A alegação, segundo essa fonte, que pediu para não ser identificada, foi o excesso de demanda.

A restrição na oferta atingiu Estados das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul e empresas como AES Eletropaulo e CPFL e as estatais estaduais Cemig (MG) e Copel (PR), entre outras. Há relatos de restrições equivalentes a 3,7% e 6% da carga para o período da tarde.

O desabastecimento ocorre em um momento no qual o nível dos reservatórios de água está reduzido e o consumo, em elevação. Reflexo das altas temperaturas em todo o País. O crescimento da demanda por energia já havia sido detectado na semana passada, quando os mercados das regiões Sudeste/Centro-Oeste e Nordeste registraram pico de consumo.

Dados divulgados pelo ONS mostram que dois recordes foram registrados na semana passada. No dia 13 de janeiro, o consumo da região Sudeste/Centro-Oeste, a mais importante do País, atingiu a marca inédita de 51.295 MW. No dia seguinte, o consumo na região Nordeste alcançou o patamar recorde de 11.999 MW.

Os recordes nas demais regiões, até a semana passada, foram constatados em 2014. Na região Sul, a marca histórica foi alcançada no dia 6 de fevereiro, com demanda máxima instantânea de 17.971 MW. Na região Norte, foram 6.185 MW no dia 4 de setembro. O recorde nacional foi atingido no dia 5 de fevereiro de 2014, com a demanda de 85.708 MW.

Novos problemas. A possibilidade de ocorrer um novo problema de desabastecimento de energia hoje é limitada em função do feriado municipal do Rio, segundo o executivo. Há o risco, por outro lado, que as condições de fornecimento continuem a se deteriorar em função do menor volume de água nos reservatórios e, consequentemente, do menor fluxo de água que aciona as turbinas das hidrelétricas.

Volta. Para o presidente da consultoria especializada Andrade & Canellas, André Crisafulli, a situação de falta de energia ocorrida ontem nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul irá se repetir. De acordo com o especialista, o problema de ontem deixa evidente que o sistema está sendo operado no limite e somente a redução do consumo pode evitar uma situação mais grave.

"Provavelmente houve falta de condições, em determinado local, de jogar no tronco afetado a energia na frequência necessária para manter o sistema", disse. "A falta de reserva girante, ou seja, de água no reservatório para operar o tempo necessário de forma a manter a frequência e estabilizar o sistema, aumenta a probabilidade de ocorrência desse tipo de pane no sistema."

Crisafulli pondera que a análise é preliminar, dado que o ONS deve apresentar uma análise de caso sobre o ocorrido somente hoje. Os argumentos apresentados pelo ONS para justificar a falha de ontem mostram, contudo, que a percepção do especialista está correta. O ONS atribuiu a pane de ontem ao descompasso entre o consumo e a geração de eletricidade nas usinas e a uma falha na transmissão de eletricidade das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste.

"Provavelmente, algumas usinas chave da região Sudeste não tinham como operar, já que não temos reservatórios", explica Crisafulli. No domingo, o nível dos reservatórios na região Sudeste estava em 18,27% da capacidade de operação.

O aumento da demanda, associado aos problemas de abastecimento, ocasionou a perda de diversas unidades geradoras, incluindo as usinas Angra I, Amador Aguiar II, Canoas II, Cana Brava e São Salvador, entre outras. "Com isso, a frequência elétrica caiu a valores da ordem de 59 Hz, quando o normal é 60 Hz", justificou o ONS.

"É preciso pedir o apoio da população para reduzir o consumo. Se o consumidor não se sujeitar a passar um pouco de calor, vamos ficar sem energia para o básico, como o uso na geladeira", alerta. O principal vilão do consumo de energia neste início de 2015, assim como no ano passado, é o elevado nível de uso do ar-condicionado.

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