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''Grandes demais para falir'' ainda cresceram mais

Quando a crise de crédito estourou, os reguladores federais injetaram dezenas de bilhões de dólares nas principais instituições financeiras dos Estados Unidos porque os bancos eram tão grandes que os representantes do governo temeram que a falência deles pudesse arruinar todo o sistema financeiro. Hoje, os maiores dentre esses bancos cresceram ainda mais.A crise pode estar beneficiando muitos dos gigantes que dominam as finanças dos EUA. Uma série de fusões arranjadas pelo governo entregou bancos insolventes a firmas estáveis. E permitiu que os sobreviventes emergissem da tempestade com posições de mercado fortalecidas, conferindo-lhes controle ainda maior sobre os empréstimos ao consumidor e um potencial de lucro superior.O JP Morgan Chase, amálgama de algumas das instituições mais conhecidas de Wall Street, detém agora mais de US$ 1 de cada US$ 10 depositados nos EUA. O mesmo pode ser dito do Bank of America, marcado pela sua aquisição do Merrill Lynch e agora, como resultado da crise, de propriedade parcialmente governamental - , e também do Wells Fargo, maior banco da Costa Oeste. Esses três bancos, mais o Citigroup - resgatado pelo governo, que é agora seu proprietário - , são responsáveis por metade das hipotecas e dois terços dos cartões de crédito emitidos no país, segundo o governo.Um ano após o quase colapso do sistema financeiro, a resposta federal redefiniu a maneira pela qual os americanos obtêm hipotecas, empréstimos estudantis e outras formas de crédito, e transformou a remuneração dos altos executivos num espetáculo. Mas nenhuma consequência da crise alarma os principais reguladores mais do que ver bancos que já eram grandes demais para falir se tornarem ainda maiores e mais interconectados."Esse é o primeiro item na lista de problemas que precisam ser solucionados", disse Sheila Bair, presidente da Sociedade Federal de Seguro de Depósito (FDIC). "Foi isso que alimentou a crise, e o problema se agravou em decorrência dela." As preocupações dos reguladores são duas: que os consumidores tenham menos opções de serviços e os grandes bancos pressuponham que sempre poderão recorrer ao governo se as coisas derem errado. Essa garantia pressuposta significa que grandes empresas podem retomar o comportamento arriscado que nos levou à crise se acreditarem que os funcionários do governo limparão a bagunça deixada por elas.Esse problema, conhecido como "risco moral", é em parte o motivo pelo qual os funcionários do governo estão controlando os bancos resgatados com rédeas curtas - monitorando a remuneração dos executivos, analisando vendas de grandes divisões - e isso está impulsionando os esforços do governo Obama para a criação de um novo sistema regulador capaz de prevenir crises posteriores.Esse plano representaria a imposição de requerimentos de capital mais altos para as grandes instituições e conferiria ao governo o poder de assumir o controle de uma ampla gama de firmas financeiras insolventes para redimensionar seus negócios de maneira ordenada."O imperativo de medidas públicas dominante, que motiva a reforma, é combater o risco moral criado pelo que fizemos, aquilo que tivemos de fazer durante a crise para salvar a economia", disse o secretário do Tesouro, Tim Geithner.Para os consumidores, a preocupação é que os resgates tenham distorcido a indústria financeira em favor dos grandes e poderosos. Dados recentes da FDIC mostram que os grandes bancos gozam da habilidade de obter empréstimos a taxas menores do que seus concorrentes porque os credores pressupõem que eles não enfrentam risco de falência. Esse desequilíbrio poderia acabar tirando do mercado os concorrentes menores. Os consumidores já percebem a redução na variedade da oferta de serviços financeiros, pelos quais têm sido cobradas taxas mais caras, segundo alertam alguns dos principais funcionários do alto escalão do governo.Essas fusões foram, em boa medida, obra do governo. Os reguladores empurraram emissores inadimplentes de hipotecas e firmas insolventes de Wall Street para os braços de bancos ainda maiores, distribuindo bilhões de dólares para garantir a aprovação dos acordos. Eles dizem que arranjaram tais casamentos a contragosto. Seu objetivo era amenizar o choque provocado pelos colapsos e impedir o desabamento da confiança no sistema financeiro dos EUA.Funcionários abandonaram regras há muito vigentes para garantir a concretização dos acordos. JP Morgan Chase, Bank of America e Wells Fargo foram, cada qual, autorizados a manter em seu poder mais de 10% dos depósitos do país, apesar de uma regra que impede tal prática. Em muitas regiões metropolitanas, esses bancos receberam autorização para ficar com uma parcela do mercado maior do que a tipicamente permitida pelos parâmetros antitruste do Departamento da Justiça, mostram documentos do Federal Reserve."Houve uma consolidação significativa entre os grandes bancos, e isso está deixando o sistema bancário oco", disse Mark Zandi, economista-chefe do Economy.com, da Moody?s. "O resultado será um conjunto de instituições muito grandes e outras menores que preenchem as fissuras. Mas será difícil para as instituições de porte intermediário encontrar espaço para prosperar." "O oligopólio se tornou mais exclusivo", acrescentou ele. *David Cho é jornalista

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