Grandes do setor de etanol temem recuo nos investimentos com MP

Temor é que maior regulação afaste novos investimentos em um momento em que eles são necessários para a expansão da safra de cana

Eduardo Magossi, da Agência Estado,

29 de abril de 2011 | 16h05

O presidente da Cosan, Marcos Lutz, disse nesta sexta-feira, 29, que espera que as medidas anunciadas ontem pelo governo ampliando a banda de mistura de anidro na gasolina de 20% a 25% para 18% a 25% conserve o fluxo de investimentos necessários para o crescimento do setor. "A Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, tem planos de investimentos para crescer a oferta de cana para 100 milhões de toneladas e a produção de etanol de 2 para 5 bilhões de litros em 5 anos", disse ele. Lutz afirma que os planos da empresa preveem um crescimento de 2,5 vezes a atual produção em apenas cinco anos, o que consumirá muitos investimentos.

O presidente da Renuka do Brasil, Humberto Farias, também salientou os expressivos investimentos em produção que a indiana tem feito no Brasil, e afirmou que o governo precisa acenar com estímulos para a volta do crescimento da produção de cana. "Este estímulo não viria com medidas como a redução da mistura de anidro", disse.

No setor, é consenso de que qualquer medida regulatória tem como custo o aumento do risco, o que resulta em aumento das taxas de juros pelos bancos financiadores. O temor é que esta maior regulação afaste novos investimentos em um momento em que eles são necessários para a expansão da safra de cana-de-açúcar que vem crescendo, desde a crise de 2008, a uma média de 3% ao ano, depois de crescer 10% ao ano por uma década.

Outro temor do setor é o fato da medida provisória 592 não explicitar quais são os limites de atuação da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), agora que o etanol será controlado por ela. O setor entende que o campo de abrangência do poder da ANP precisa ser melhor definido e explicitado. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.