Grandes empresas puxam queda da construção civil

Todos os dados relativos à evolução da construção civil, exibidos nas pesquisas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do sindicato da habitação (Secovi) divulgadas nos últimos dias, mostram o agravamento dos problemas, com a diminuição da atividade do setor, do uso de capacidade, da produção e das vendas, bem como do emprego. Mas a situação é ainda mais difícil no segmento das grandes empresas e no nível do emprego – os cortes de pessoal só são menores do que os da indústria de transformação.

O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2015 | 02h55

O número de empregados com carteira assinada na construção civil diminuiu 25 mil em agosto, 177,7 mil no ano e 385,2 mil em 12 meses – redução de 11,77%, mais que o dobro do corte na indústria de transformação e o maior entre os oito setores analisados pelo Ministério do Trabalho. Isoladamente, a construção representou 39% do total de corte de postos de trabalho com carteira entre setembro de 2014 e agosto de 2015.

As grandes empresas apresentaram indicadores piores que os das pequenas e das médias no tocante às expectativas quanto ao nível de atividade, novos empreendimentos e serviços, compra de insumos e matérias-primas, número de empregados e intenção de investimento. Esses itens fazem parte da última Sondagem Indústria da Construção, da CNI. As quedas foram mais intensas do que as esperadas.

Grandes empresas foram atingidas pelo corte de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Minha Casa, Minha Vida. O cenário atual retrata o “fim do ciclo imobiliário”, segundo a FGV. Sem verbas federais, as empresas enfrentam aperto financeiro: 47% das pesquisadas para o Índice de Confiança da Construção (ICST) informaram que é mais difícil obter crédito (há um ano, eram 22,5%).

Indicadores recentes sugeriam que o setor se aproximava do “fundo do poço”, enfatizou Ana Maria Castelo, da FGV. Mas em setembro o ICST registrou 65,9 pontos (-35,1% em relação a setembro de 2014 e -43,2% em relação à média histórica de 116 pontos). Abaixo de 100 pontos, o campo é negativo.

Assim como a CNI, os especialistas da FGV constataram a deterioração dos resultados. A situação atual dos negócios é muito ruim. Na cidade de São Paulo, por exemplo, as vendas de imóveis novos caíram 59,7% entre junho e julho, para 1.042 unidades, segundo o Secovi. Mas, se a oferta diminuiu, os estoques ainda são altos.

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