Grandes grupos resistem à oferta de troca da dívida argentina

O início da troca da dívida argentina, cuja abertura formal será na próxima sexta-feira, contará com um nível de aceitação por parte dos credores de 30%, através das administradoras de fundos de pensões locais. O número é positivo para o governo que focalizará sua campanha de promoção da troca no convencimento dos credores para que entrem na operação.No entanto, as resistências dos grandes grupos representantes de credores não cedem às estratégias do ministro de Economia, Roberto Lavagna. O co-presidente do Comitê Global de Detentores de Bônus da Argentina (GCAB, conforme a sigla em inglês), o italiano Nicola Stock, insiste em que o "governo argentino tem condições de oferecer o pagamento de quase 50% do valor desses títulos em default (calote), em vez de 27%", conforme a oferta que será lançada hoje.Stock reafirmou que o GCAB "está armado com unhas e dentes para ir à Justiça contra a troca" argentina. Ele afirmou que os processos legais contra a Argentina serão realizados mesmo que a troca alcance 80% de aceitação dos credores. Stock está convencido de que a oferta argentina "tem que melhorar".Italianos têm opinião semelhanteNa mesma linha, o presidente do Comitê de Credores da Itália, o advogado Mauro Sandri, resiste à troca. Ele estimou hoje que na Itália o nível de aceitação da oferta será muito baixa. "Poucas pessoas aceitarão a troca aqui na Itália porque algumas condições são inaceitáveis", afirmou Sandri, completando que "a oferta não é compatível com os reais interesses dos credores". Em entrevista à uma rádio portenha, Sandri disse que o governo argentino só está interessado em "tranquilizar os fundos especulativos dos gringos e não privilegia os pequenos credores italianos".

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