Grandes redes de fast food lucram na crise

McDonald?s, Taco Bell e Pizza Hut anunciaram ganhos acima do esperado

Jamil Chade, O Estadao de S.Paulo

14 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em meio à pior crise mundial em 60 anos, um setor afirma estar ganhando com a recessão: o das lanchonetes de fast food. McDonald?s, Taco Bell, Pizza Hut e outros anunciaram lucros nos últimos dias, enquanto pesquisas mostram que um número cada vez maior de europeus e americanos estão abandonando os restaurantes e trocando suas refeições por menus mais baratos. Na França, alguns dos grandes cozinheiros estão até mesmo abrindo restaurantes de baixo custo.Na segunda-feira, a rede McDonald?s anunciou que suas vendas aumentaram 7,1% em janeiro. Nos últimos 13 meses, a média de alta nas vendas foi de 5,4% nos Estados Unidos. Na Europa, a taxa ficou acima de 7%. Na Ásia e Oriente Médio, em 10,2%."O McDonald?s continua a atrair os consumidores ao oferecer qualidade e refeições baratas", afirmou o CEO da empresa, Jim Skinner. Em 2008, o lucro da rede teve alta de 80%, chegando a US$ 4,3 bilhões. Na China, a empresa pretende abrir este ano 175 novas lojas e contratar 10 mil empregados. Hoje, a rede já conta com 1.050 lojas no país. Outras redes, como a Taco Bell, Pizza Hut e KFC, também tiveram lucros acima das projeções. Nesse cenário, uma exceção é a rede de cafeterias Starbucks, que apresentou resultados negativos e foi obrigada a demitir 6,7 mil pessoas.Nos Estados Unidos, um levantamento feito pela consultoria Morpace concluiu que 48% dos americanos estão gastando menos em restaurantes do que há seis meses. "Em setembro, 30% dos consumidores já indicaram que estavam cortando seus gastos com restaurantes. Em janeiro, já é quase metade dos entrevistados", afirmou Kirsten Denyes, especialista da consultoria. Para a entidade, há de fato uma troca de restaurantes. Mas a previsão é que, se a crise se aprofundar, as redes de fast food também sofrerão.Na França, a queda no movimento de restaurantes também é visível. Com menos gente disposta a pagar 200 por um jantar, os grandes chefes buscam alternativas em restaurantes mais baratos. Paul Bocuse, conhecido como o papa da "cuisine" francesa, foi um dos que abriram um restaurante que pode ser comparado a um fast food. Guy Martin e Helene Darroze, citados no Guia Michelin, também passaram a oferecer menus mais baratos. PROTECIONISMONa Itália, a solução encontrada pelo governo para ajudar os restaurantes beira a xenofobia. Na semana passada, a câmara de vereadores de uma cidade italiana proibiu a abertura de lanchonetes e restaurantes de comidas turcas, árabes e chinesas. O primeiro município a adotar medidas como essa foi Lucca. O objetivo seria incentivar italianos a comerem comida italiana. É uma versão gastronômica da proposta do presidente Barack Obama nos Estados Unidos, de que empresas comprem aço americano, ou da dos ingleses de criar postos de trabalho apenas para britânicos.Na Itália, o partido de extrema-direita Liga Norte defendeu a ideia como forma de "proteger especiarias locais contra o crescimento da comida étnica". Na Lombardia e outras regiões, a ideia também ganha adeptos. Em Milão, a proibição também passará a vigorar. Em um ano, o número de restaurantes étnicos aumentou em 30%, chegando a 668 na cidade.Luca Zaia, ministro de Agricultura da Itália e membro da Liga Norte, também apoiou a ideia. "Precisamos resguardar nossa cultura", disse.

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