FELIPE RAU/ESTADÃO
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Granja Faria lança assinatura e até restaurante para 'sofisticar' ovo

Empresa, que deve faturar R$ 1,2 bilhão neste ano, quer abrir 30 lojas do fast-food Eggy e ampliar participação dos ovos de galinhas soltas, mais caros, dentro do negócio

André Jankavski, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2021 | 05h00

Uma das maiores produtoras de ovos do Brasil, a Granja Faria quer mostrar que o ovo pode ser um alimento mais sofisticado. Isso ocorre em um momento em que o produto ganha ainda mais importância no prato do brasileiro, que viu o preço de outras proteínas, como carne e peixe, dispararem com a inflação. Não por acaso, a empresa prevê crescer 53% neste ano, e, de olho no futuro, começa a expandir outras frentes de negócio, por meio de aquisições, passando por um clube de assinaturas de ovo e até com a abertura de um restaurante que tem o ovo como protagonista, o Eggy.

Por enquanto, o Eggy tem apenas uma unidade, localizada no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, e tem as mais variadas receitas possíveis com ovo. Entre elas, estão as versões mais clássicas, como omelete, sanduíches e a versão mexida para o café da manhã, até outras invenções, como o ovo no pote e a torrada com abacate e ovo. 

“Queremos colocar o ovo como protagonista e também pretendemos entender os hábitos de consumo para criar novas receitas”, diz Denilson Derigoni, presidente da Granja Faria. A previsão da empresa é ter 30 lojas nos próximos seis anos e, só depois, abrir para franquias. Hoje, o investimento por unidade é de cerca de R$ 1 milhão.

Bilhão

 Esse negócio, porém, ainda não representa quase nada dentro da companhia. A Granja Faria deve encerrar 2021 com um faturamento de R$ 1,2 bilhão, e uma das principais vias de crescimento dos últimos anos foi a compra de empresas e granjas. Isso vem acontecendo em série, especialmente desde 2017, quando a companhia decidiu entrar no ramo de ovos de consumo, que movimenta mais de R$ 20 bilhões

O tamanho da investida nessa área fica evidente no faturamento atual da empresa. Do total, 60% vem da venda ovos para o consumo e 30% da área ovos férteis, que são comercializados para empresas de alimentos como BRF e JBS. Os 10% restantes são divididos entre o braço industrial, que faz produtos como albumina, que é a clara de ovo desidratada, e o e-commerce, que tem um clube de ovos por assinatura.

No total, a empresa vende 7,2 milhões de ovos por dia, o que dá 2,6 bilhões por ano. Para isso, a companhia conta com 14 milhões de aves, e a ideia é continuar aumentando a produção por meio de aquisições de outras granjas. Mas Derigoni também está de olho no crescimento no mercado de ovos de galinhas soltas, que ainda representam uma ínfima participação dentro do mercado, mas que começam a ganhar espaço nas prateleiras e nos gostos, especialmente do brasileiro mais rico.

Hoje, apenas 5% das vendas da Granja Faria são de ovos de galinhas soltas. Porém, Derigoni acredita que esse porcentual pode chegar a 30% no futuro, especialmente com a demanda do clube de assinatura. “Antes era só um sonho, mas há uma demanda crescente, e está virando realidade”, diz.

Apesar do crescimento das vendas, a Granja Faria também tem sofrido com a inflação. Isso porque, enquanto o preço do ovo subiu cerca de 30%, os custos de produção aumentaram em torno de 200%, especialmente com a alta dos grãos, que são a base de alimentação das galinhas. “O ano de 2022 será difícil. Mas investimos R$ 300 milhões no último ano e estamos confiantes de que vamos seguir crescendo”, diz. 

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