Carlos Silva/Mapa
Carlos Silva/Mapa

Granjas em Mineiros já acumulam 300 mil perus sem destinação para abate

Operação Carne Fraca da Polícia Federal fechou unidade da BRF na região; ministério da Agricultura autorizou transferência de aves para outras plantas, mas transporte ainda não começou

André Borges, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2017 | 17h03

BRASÍLIA - As granjas da cidade goiana de Mineiros já acumulam um total de 300 mil perus em situação de abate, por conta do fechamento da unidade da BRF Perdigão desde o dia 17 de março, por conta da Operação Carne Fraca. Diariamente, o frigorífico abate 25 mil aves por dia. Os animais são recolhidos por caminhões contratados pela própria BRF.

Na semana passada, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) havia informado que a transferência das aves estava autorizada e que, a partir da segunda-feira, 27, os perus começariam a ser transportados para a unidade da BRF em Uberlândia. A companhia confirmou que aguardava apenas o sinal verde do ministério para iniciar o transporte dos animais vivos, em viagens de mais de 530 quilômetros. 

O fato é que nenhuma ave saiu de Mineiros (GO) com destino à Uberlândia até agora. O Mapa declarou que o transporte estava autorizado pela Superintendência Federal da Agricultura de Goiás, que é vinculada à Pasta, e que não existe restrição de uma planta frigorífica fazer a remoção dos animais para serem abatidos em outra unidade da empresa, desde que o lote de animais esteja acompanhado da Guia de Trânsito Animal (GTA) e que sejam observadas as "boas práticas de bem estar animal".

Segundo a Associação dos Avicultores Integrados da Perdigão em Mineiros (Avip), ainda não houve autorização para que os animais sejam deslocados. São 300 mil perus prontos para serem enviados ao frigorífico. De acordo com Avip, que representa todos os produtores de aves que abastecem a unidade da BRF em Mineiros, parte desses animais já começa a ultrapassar o peso de 25 quilos, que é o tamanho limite dos animais que são processados pela unidade de Mineiros.

Reportagem do Estado da semana passada mostrou o drama dos produtores locais e da cadeia de abastecimento que gira em torno dos negócios da carne em Mineiros. A reportagem também revelou que a maior parte dos funcionários responsáveis por fiscalizar a qualidade e o cumprimento das exigências sanitárias que envolvem a produção de carnes na BRF está ligada à própria empresa. 

São seus funcionários diretos. Dos 112 agentes do Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura que fiscalizam a unidade de Mineiros (GO), da BRF Perdigão, 104 são empregados formais da companhia, o equivalente a 93% da equipe. Os oito agentes restantes estão ligados ao Ministério da Agricultura e à prefeitura do município goiano. O governo deve anunciar mudanças nas regras do Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (Riispoa), que atualmente permite a contratação de fiscais pela própria empresa.

Questionada sobre o assunto, a BRF informou que ainda não teve autorização do Serviço de Inspeção Federal (SIF) para iniciar o transporte das aves. "O transporte das aves ainda não começou porque a BRF ainda aguarda autorização", comentou a empresa. A respeito do peso dos animais que permanecem em cativeiro, a empresa declarou "não existe risco que passem do ponto do abate pois a BRF está tomando as devidas providências com o auxílio de especialistas em nutrição animal para mitigar esta possibilidade".

A empresa declarou que protocolou nos SIFs (Serviço de Inspeção Federal, do MAPA) de Rio Verde (GO) e de Uberlândia (MG) a solicitação de autorização para que os animais sejam encaminhados às fábricas localizadas nestas cidades. "Após obter autorização do SIF, os frangos já estão sendo abatidos na unidade de Rio Verde. A empresa aguarda a liberação referente à unidade de Uberlândia para o envio dos perus". Na fábrica de Mineiros, a empresa abate em média 115 mil frangos e 25 mil perus por dia.

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