Grãos impulsionam preços da terra no Brasil; Sul é destaque

Com a alta dos grãos, o preço médiodas terras destinadas à agropecuária no Brasil subiu 16,3 porcento no segundo bimestre de 2008, ante o mesmo período de2007, para 4.135 reais por hectare, informou nestasegunda-feira um estudo da AgraFNP, divisão no Brasil do grupoAgra Informa, líder em consultoria no agronegócio no mundo. As principais áreas produtoras de grãos do país registramas maiores valorizações, o que fez também o preço médio no Suldo Brasil superar o custo das propriedades no Sudeste pelaprimeira vez desde o início de 2007. Em relação ao primeiro bimestre, a alta do preço médio noBrasil foi menor, de 3,42 por cento, mas o valor no Sul subiu6,16 por cento no mesmo período. "A região Sul no bimestre passado tinha quase igualado ovalor com o Sudeste. Grande parte dessa troca de posição é porconta da procura de terras agrícolas para grãos no Paraná, quese valorizou demais", disse a analista da AgraFNP JacquelineBierhals, por telefone. O preço médio do hectare no Sul subiu de 7.288 reais, noprimeiro bimestre, para 7.737 reais, enquanto o valor da terrano Sudeste foi estimado pela consultoria em 7.450 reais porhectare, ante 7.317 reais nos primeiros dois meses do ano. "Subiu no Brasil de maneira geral, mas no Sul teve umincremento de preços muito forte, são terras que já são caras eestão encontrando espaço para seguir subindo", acrescentou. Segundo a consultora, para se ter uma idéia da procura deterras por grãos no Paraná, o maior produtor do Brasil, houveum negócio realizado em Cascavel a 34 mil reais por hectare,parcelado em três vezes. "A maior procura e o tamanho médio das propriedades,inferior por exemplo às do Cerrado, dá espaço para esses preçosmais salgados." O produtor Camilo Carlos Caus, da região de Cascavel (PR),que está tentando ampliar a sua propriedade, disse que ospreços dos grãos favorecem a aquisição de terras, mas lembrouque as negociações estão difíceis pelo valor elevado e peladisputa com outros interessados. "Tem até médico comprando terra por aqui", disse ele,referindo-se a profissionais que estão buscando áreas paraentrar no setor de reflorestamento, plantando eucaliptos. Segundo a AgraFNP, os preços no Sudeste também perderam umpouco o brilho em função da menor euforia com os valores pagospela cana, que tiveram queda na comparação com a safra passada,pela maior oferta de açúcar e álcool. Em São Paulo, o maior produtor de cana do Brasil, o preçomédio da terra subiu para 11.824 reais por hectare, ante 11.604no primeiro bimestre. "Mas essa alta não é nada por conta dacana, são reflorestamentos, áreas de grãos, pastagens", disseJacqueline, lembrando que se o produtor de cana estivesse comuma melhor remuneração os preços poderiam ter subido mais. CENTRO-OESTE No Centro-Oeste, principal região produtora de grãos doBrasil, a valorização em relação ao primeiro bimestre foipequena, de 3,5 por cento, mas na comparação com o segundobimestre de 2007 a alta foi de 40 por cento, para 3.246 reaispor hectare, também em função dos melhores preços dascommodities agrícolas. Segundo a analista, essa alta no Centro-Oeste ocorre tambémem função da maior procura por terra da parte de grandesgrupos, muitos deles estrangeiros, interessados em cultivar emextensas áreas. Mas esses grupos teriam interesse em áreas de Cerrado, nãonaquelas consideradas do bioma Amazônico, até para evitareventuais problemas com órgãos ambientais, disse a analista. "Quem tem áreas abertas não vende, porque não existemoutras áreas para serem abertas", disse o agricultor NelsonPicolli, presidente do Sindicato Rural de Sorriso (MT), citandodificultades ambientais para abertura de fronteiras agrícolas. Dessa forma, o valor da propriedade da região ao norte doEstado, com a alta da soja, subiu, uma vez que as terras sãocotadas em sacas, disse Picolli. (Edição de Camila Moreira)

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