Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Grau de confiança ainda não é suficiente para promover retomada da economia, diz CNI

Na avaliação da CNI, o déficit no setor público e a elevada necessidade de financiamento do governo tiram recursos do mercado que poderiam ser direcionados às empresas

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

06 Julho 2016 | 14h51

BRASÍLIA - A mudança de governo proporcionou uma melhora na confiança dos empresários da indústria, mas ainda em medida insuficiente para trazer efeitos para a economia real, afirmou há pouco o gerente-executivo de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. "Entre ficar mais confiante e retomar processo de investimentos, precisa de outras condições mais objetivas", disse.

Segundo Castelo Branco, a mudança no comando do País após o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e a consequente troca na equipe econômica acabaram tendo efeito positivo sobre a confiança. A predisposição em fazer uma reforma da Previdência também contribuiu nesse sentido, destacou. Mas a confiança permanece no campo negativo.

"Isso ainda não se transferiu para situação real das empresas", disse o gerente-executivo. "Em algum momento, consolidando expectativas positivas, pode ser que se transfira para o setor real da economia, mas é preciso outras condições. O grau de confiança ainda não é suficientemente alto ou forte para promover retomada da economia", destacou.

Uma das dificuldades mais urgentes é resolver o quadro fiscal. Castelo Branco disse que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que institui um teto para os gatos é importante, mas se trata de um processo "muito longo".

"No curto prazo, temos problema muito sério que é como conviver com um déficit dessa magnitude", avaliou. Neste ano, o governo estima fechar as contas no vermelho, com um déficit de R$ 170,5 bilhões, seguido de novo rombo em 2017, entre R$ 150 bilhões e R$ 160 bilhões.

Na avaliação da CNI, o déficit no setor público e a elevada necessidade de financiamento do governo acabam tirando recursos do mercado que poderiam ser direcionados às empresas. "Crédito de curto prazo é fundamental. Sem isso, as empresas têm dificuldade de operar normalmente. Mas o déficit no setor público acaba abafando o crédito direcionado ao setor privado", disse Castelo Branco.

Indústria. A indústria brasileira operou em maio num ritmo abaixo do observado em abril. O nível de utilização da capacidade instalada da indústria de transformação atingiu 77,0% no mês passado, pelo dado ajustado sazonalmente, uma leve queda em relação a abril, quando estava em 77,1%, informou a CNI. Em maio de 2015, a utilização do parque fabril era de 79,1%. Com o dado, a ociosidade da indústria alcançou a pior marca de toda a série histórica, iniciada em 2003.

Junto com o recuo do uso da capacidade instalada, o faturamento real do setor de transformação apresentou queda de 3,8%, em maio ante abril. Na comparação com maio do ano passado, houve retração de 11,8%. Nos primeiros cinco meses do ano, houve queda de 12,2% no faturamento das empresas ante igual período de 2015. 

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