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Grau de inovação da indústria brasileira deixa a desejar

Pesquisa inédita da CNI mostra que 62% dos empresários que comandam empresas consideradas inovadoras avaliam como baixo (54%) ou muito baixo (8%) o grau de inovação da indústria

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

12 Maio 2015 | 10h31

O grau de inovação na economia brasileira deixa a desejar até para as indústrias mais inovadoras do País. Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 62% dos empresários que comandam empresas inovadoras avaliam como baixo (54%) ou muito baixo (8%) o grau de inovação da indústria brasileira. Inovação é quando uma ideia nova ganha valor de mercado na forma de produto ou serviço e gera retorno financeiro para a empresa.

“É a primeira vez que fazemos uma pesquisa deste tipo e o relevante é que essa avaliação foi feita por empresas que já têm a inovação no seu DNA”, observa Paulo Mól, superintendente nacional do Instituto Euvaldo Lódi, braço da CNI para inovação. Ele destaca que a inovação é uma ferramenta necessária para que as empresas ampliem a competitividade e produtividade.

A enquete consultou dirigentes de cem indústrias, 40% delas de grande porte e 60%, médias e pequenas. O universo de setores pesquisados foi amplo e englobou fabricantes de bens de capital, de consumo, indústria química e petroquímica, construção civil, energia, metalurgia e siderurgia, entre outras. De acordo com a pesquisa, apenas 3% dos entrevistados consideraram o grau de inovação alto e 35% nem alto, nem baixo.

Vários fatores levaram as empresas a considerar o grau de inovação baixo ou muito baixo. Mas o principal motivo dessa avaliação, indicado por 41,9% dos entrevistados, é o fato de o País estar atrasado em relação a outros países. Isso faz com que muitas vezes as indústrias importem ou copiem inovações. 


Também 29% dos entrevistados, levando em conta respostas de múltipla escolha, acharam que falta cultura de inovação no País e nas empresas; 17,1% reclamaram da falta de políticas de incentivos à inovação e 16,1% disseram que os financiamentos e investimentos são escassos.

Encabeça a lista de obstáculos à inovação a burocracia e regulamentação excessivas (30%), seguida pelo baixo nível de educação e qualificação de mão de obra. A maioria das empresas (89%) acha que os profissionais recém-chegados ao mercado de trabalho não estão suficientemente capacitados. Neste ponto, Mól destaca que para suprir essa deficiência uma das alternativas é melhorar a interlocução entre o setor privado e a academia, que, teoricamente, deve fornecer a mão de obra qualificada para o mercado. Ele destaca que isso é mais frequente entre os profissionais de engenharia, especialmente no que se refere na área de gestão.

Investimento. Quanto à fatia do orçamento destinada à inovação, as empresas que mais investem são as grandes companhias, em detrimento das médias e pequenas. No primeiro grupo, 37,5% destinam mais de 5% à inovação. Já entre as pequenas, 21,7% gastam mais de 5%.

Apesar do baixo crescimento esperado para o País, mais da metade (57%) planeja aumentar ou aumentar muito os investimentos em inovação nos próximos cinco anos e 39% vão manter o nível de recursos aplicados. 

Para debater  os resultados da pesquisa e conhecer as experiências de especialistas internacionais,  a CNI e o Sebrae realizam, em São Paulo, entre esta quarta-feira,13, e quinta-feira, 14, o 6º Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria. Entre os participantes estão Antony Taubman, diretor da divisão de propriedade intelectual da Organização Mundial do Comércio (OMC) e Cesar Hidalgo, do Massachusetts Institute of Technology (MIT).   

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