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Grau de investimento atrai mais fundos soberanos para o Brasil

Com elevação da nota da Moody's, fundos europeus e asiáticos passaram a investir em títulos da dívida

Adriana Fernandes,

14 de outubro de 2009 | 05h41

Na esteira da "onda" que tem atraído investidores estrangeiros para o Brasil, fundos soberanos da Europa - que investem os recursos de países com grandes reservas internacionais - e bancos centrais de páises do Oriente Médio e da Ásia passaram a investir em títulos da dívida brasileira (interna e externa). Fundos de investimentos europeus que aplicam recursos de investidores bilionários também se tornaram compradores de papéis brasileiros.

 

O poderoso Fundo Soberano da China, (CIC, sigla em inglês), com recursos de US$ 200 bilhões, já manifestou interesse em comprar títulos da dívida doméstica do Brasil. O movimento de atração desses investidores já foi detectada na mesa de operações do Tesouro Nacional e Se intensificou depois que a agência de classificação de risco Moody's concedeu, em setembro, o grau de investimento ao Brasil.

Com a nota da Moody's, o País passou a ter o grau de investimento das três maiores agências (Standard & Poor´s e Fitch já haviam dado a nota ao Brasil no ano passado), o que abriu as portas a grupos de investidores mais tradicionais.

Com o perfil conservador, muito desses fundos só investem em papéis de países que têm grau de investimento das três agências.

"O momento é muito favorável para os títulos brasileiros. Há uma forte atração de novos investidores", disse o coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública do Tesouro, Otávio Medeiros, que em recente encontro com investidores, em Pequim, teve reuniões reservadas com investidores da China, entre eles do CIC. Todos, disse ele, entusiasmados com a economia brasileira.

Segundo Medeiros, alguns fundos soberanos já aplicavam em papéis da dívida doméstica, mesmo antes de o Brasil receber o grau de investimento pela primeira agência de classificação de risco. Outros, mais conservadores aplicavam apenas em títulos da dívida externa e agora estão começando a se sentir mais confortáveis e seguros para investir diretamente no País. Entre esses fundos estão o de Abu Dabi, Cingapura, Hong Kong e Coreia do Sul.

A aplicação de estrangeiros em títulos da dívida interna e um indicador de maior confiança na economia. Ao contrário do que ocorre quando compra um papel da dívida externa demominado em dólares ou euros, ao aplicar num título doméstico, em reais, o investidor assume no mínimo o risco cambial na operação.

"No book (livro com o nome dos investidores) da emissão do Global 2041 observamos novos investidores", disse José Franco de Morais, coordenador de Operações da Dívida Pública, área responsável pelos leilões do Tesouro. Na captação  do Global 2041, a demanda superou cinco vezes a oferta do Tesouro, o que fez com que taxa paga caísse para o patamar mais baixo da história par aum papel na faixa de vencimento de 30 anos.

Segundo Franco, a redução das taxas dos papéis tem favorecido as emissões externas de empresas brasileiras realizadas ao longo deste ano, entre elas Petrobrás, Odebrecht, Telemar, Friboi, Banco Cruzeiro do Sil, Eletrobrás, Vale, CSN, Votorantim e Bradesco.

As emissões com prazoem 10 anos se intensificaram após as captações da República co  o mesmo vencimento. "Após a emissão do 2041, é possível que empresas de primeira linha também acessem o mercado com emissões de 30 anos", previu.

QUEDA NAS TAXAS

A expansão da base de investidores na dívida interna é considerada estratégica para o Tesouro. É que o apetite maior dos estrangeiros eleva a demanda por títulos pre-fixados de longo prazo e atrelados ao IPCA (de maior risco para o aplicador) e pressiona as taxas para baixo.

Durante a reunião anual do FMI, em Istambul, na semana passada, uma cas preocupações dos investidores estrangeiros para aplicar na dívida interna era saber como se comportam os fundos de pensão no Brasil, que são os outros grandes compradores de papéis de longo prazo.

"Os estrangeiros prezam por liquidez e sentem-se mais confortáveis ao saber que tem atores importantes atuando no mercado. Isso dá segurança, se quiserem se desfazer dos papéis no mercado secundário", disse o gerente de relações com o mercado. Andre Proite, que esteve em Istambul.

"Estamos esperando uma janela para ampliar o prazo", antecipou Proite.

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