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Grau de investimento no Brasil é "grande possibilidade"

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Bernardo Appy, se mostrou nesta quinta-feira bastante otimista em relação às chances de o Brasil crescer mais do que 3% e chegar a ser grau de investimento. A afirmação foi feita em entrevista ao Broadcast Ao Vivo, diretamente de Pequim, na China. O secretário foi ao país participar de um seminário sobre o sistema financeiro no Brasil. Existe um consenso entre as agências de rating e analistas de que o País só pode crescer mais se forem feitos fortes ajustes fiscais. O secretário disse acreditar que o governo esteja fazendo sua parte e não acha que a questão fiscal possa atrapalhar o processo. "Existe um compromisso claro desse governo com a manutenção de uma política fiscal que sinalize para a redução da relação dívida com o Produto Interno Bruto (PIB) ao longo do tempo e uma preocupação com uma política fiscal que seja compatível com o projeto de desenvolvimento. Não entendo que deva haver políticas fiscais que dificultem o processo", avaliou. O secretário citou a agência de classificação de risco japonesa R&I que tem o Brasil a apenas um passo para obter o grau de investimento. Em julho deste ano, a agência elevou o rating do Brasil de BB- para BB+, com perspectiva estável. Outras agências mais conhecidas, no entanto, como a Fitch e Standard and Poors têm o Brasil a dois degraus do investment grade. Já a Moody´s colocou o País a três degraus. O Brasil ainda precisa avançar três degraus do rol de países seguros para investimentos estrangeiros.Conseqüência naturalSegundo Appy, o grau de investimento é conseqüência natural da gestão da política macroeconômica com foco no médio e longo prazo. Para ele, independente de quem seja o próximo presidente, esse compromisso com a política fiscal será assumido. "Existe uma grande compreensão, do ponto de vista da sociedade, de se ter políticas fiscal sólida e consistente. Entendo que esse compromisso será assumido por qualquer que seja o próximos presidente do País", disse.Appy disse que o Brasil tem condições de crescer mais do que 3% nos próximos anos, "com resultados já este ano" e evitou falar se as estimativas para este ano poderiam ser revistas para baixo. O Ministério da Fazenda prevê crescimento do PIB de 4,% a 4,5% este ano, mas o mercado já reduziu sua projeção para 3,55%. "Se for o caso, (a projeção) pode ser revista, dependendo de como estiverem agindo alguns indicadores até lá", disse. Segundo ele, essa revisão do mercado, que consta na última pesquisa Focus do Banco Central, mostra que o mercado é mais "reativo". "O Ministério costuma ter uma ter uma visão mais de longo prazo e esperar para definir as tendências. Ele tende a esperar um pouco mais", afirmou.

Agencia Estado,

17 de agosto de 2006 | 13h00

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