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Grau de investimento virá da soma de fatores, diz Meirelles

Para presidente do Banco Central, posição de credor externo é apenas mais um passo para classificação

Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo,

25 de fevereiro de 2008 | 11h22

A nova condição de credor externo - e não mais devedor - que o Brasil desfruta desde janeiro é só mais passo rumo ao investment grade, mas não será determinante, na opinião do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A avaliação foi feita no final da manhã desta segunda-feira, 25, em Paris, onde a autoridade monetária participou de uma reunião com empresários europeus, a convite da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo Meirelles, o "grau de investimento" das agências internacionais se deverá ao conjunto de fundamentos da economia brasileira. "O investment grade não é (atribuído) por conta de um ou outro fator específico, mas é resultado de uma melhora global de fundamentos", disse o presidente. "Não será um ou outro índice que vai definir o investment grade. É o resultado de uma tendência do País." Meirelles voltou a ressaltar os elementos que, no seu entender, contam a favor de uma nova classificação de riscos para o Brasil: dívida pública total líquida sobre o Produto Interno Bruto (PIB) em queda, taxas de inflação dentro das metas, balança comercial sólida, setor externo competitivo e acúmulo de reservas, "que dá resistência a crises internacionais".  De acordo com o presidente do Banco Central, a economia segue crescendo, liderada pela demanda doméstica e pelo tripé aumento do emprego, da renda e do crédito. "O país está menos dependente da economia internacional", assegurou, destacando que o investimento vem crescendo "de uma forma importante". O banqueiro evitou comentar os números da condição de credor externo alcançada pelo país. Em janeiro, o Brasil tornou-se credor de US$ 4 bilhões, invertendo o resultado de dezembro, quando ainda devia, somadas contas públicas e privadas, US$ 4,4 bilhões. Os dados precisos serão divulgados de forma oficial ao longo do dia, em Brasília, por meio da Nota do Setor Externo do Banco Central. Meirelles disse desconhecer as estatísticas do boletim e, por isso, não as comentaria. Sobre a reunião com o grupo de 70 empresários - entre os quais franceses, espanhóis, alemães, suíços, dinamarqueses e norte-americanos -, Meirelles esclareceu que foi questionado sobre os fundamentos da economia e sobre eventuais gargalos de infra-estrutura. Também a resistência à instabilidade causada pela crise imobiliária nos Estados Unidos e na Europa foi tema de perguntas. "A redução do ritmo de crescimento norte-americano afeta o mundo todo, mas o Brasil está em condições de sofrer um impacto muito menor do que no passado ou do que sofrem outros países", entende. "Para simplificar a resposta, eu disse aos empresários que o crescimento que estimamos para o ano de 2007, de 5,2%, é 0,7% maior do que o previsto para 2008, de 4,5%".

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