Grau de investimento virá em até dois anos, diz Meirelles

Presidente do BC destaca que 'confiança na capacidade de o País honrar seus compromissos aumentou'

Fabio Graner e Gustavo Freire, da Agência Estado,

25 de setembro de 2007 | 11h01

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse nesta terça-feira, 25, em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o Brasil passará a ser investment grade em um prazo não muito longo. "Não é coisa para muitos anos. Está mais para (um prazo de) um a dois anos do que de oito a dez anos", disse. Meirelles também destacou o fato de que o Brasil recebeu um upgrade das agências de rating em meio ao cenário de turbulência dos mercados financeiros internacionais, sublinhando que as agências de rating tem por hábito ser mais conservadores do que a média de mercado. O presidente do BC lembrou, ainda, que atualmente as agências de rating estão passando por um momento delicado em função das dúvidas suscitadas com os problemas do mercado subprime dos Estados Unidos. "Num passo seguro vamos chegar lá, no investment grade", afirmou Meirelles. Crise Ao comentar a turbulência pela qual passam os mercados globais, Meirelles afirmou que apesar de a recente crise ter sido muito maior do que a verificada em maio de 2006, o impacto nos mercados brasileiros foi menor. Para referendar o raciocínio, Meirelles apresentou um gráfico mostrando o comportamento dos investidores estrangeiros na BM&F e a variação taxa de câmbio nos períodos de crise. O material mostra que, em maio de 2006, os investidores inverteram suas posições compradas em real, o que levou a uma forte alta na taxa de câmbio. Já na crise mais recente, os investidores também reverteram sua posições compradas em real, mas a taxa de câmbio teve um repique menor em termos de variação e tempo de duração. Outro indicador apresentado por Meirelles mostrou que as taxas das NTN-B (títulos públicos indexados ao IPCA) de 2010 e 2045 na atual turbulência, que foi muito maior do que a anterior, aumentaram muito menos do que em maio de 2006 e rapidamente voltaram a recuar. "Isso mostra que a confiança na capacidade de o Brasil honrar seus compromissos aumentou substancialmente, especialmente diante do que aconteceu nos mercados", disse. Segundo Meirelles, essa situação reflete o fato de o Brasil hoje ser mais resistente a choques de volatilidade. Tal situação, explicou, é provocada por uma política econômica que combina sistema de metas de inflação que mantém os índices de preços na meta, superávits primários de contas públicas e nas transações correntes, além de reservas internacionais elevadas e melhora nos indicadores de vulnerabilidade externa, como dívida externa líquida e exportações. Meirelles afirmou ainda que o desempenho econômico do Brasil mostra que o País vive um momento importante, em que desfruta dos benefícios da estabilidade, depois de anos em que só houve preocupação com os custos da estabilidade. Disse ainda que esses benefícios são, além de econômicos, sociais.  Economia mundial O presidente do BC disse que trabalha com um cenário básico que tem como premissa um crescimento um pouco menor da economia dos EUA por conta da crise no mercado subprime.  Para a economia mundial, o cenário básico, de acordo com Meirelles, é de que a taxa de expansão continua sendo equivalente às dos últimos anos, ou um pouco menor.  No cenário de risco, o presidente do BC disse que a hipótese considerada é de que a economia dos EUA entre em recessão. Nesse caso, o efeito da retração econômica dos EUA sobre a economia mundial pode ser maior.

Tudo o que sabemos sobre:
Henrique Meirellesaversão ao risco

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.