Kai Pfaffenbach/Reuters
Kai Pfaffenbach/Reuters

Grau especulativo pode gerar venda de títulos bancários do Brasil, diz Deutsche Bank

Banco alemão calcula que US$ 12 bilhões poderiam ser vendidos; para a instituição, o momento do anúncio da Moody's indica que o Brasil pode perder o título de bom pagador antes do previsto

Fernando Nakagawa, O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2015 | 09h38

LONDRES - A decisão anunciada na noite desta quarta-feira pela Moody's de colocar o rating brasileiro em revisão não é uma grande surpresa para os analistas do Deutsche Bank. O momento do alerta sobre a nota brasileira, porém, sinaliza que o Brasil pode perder o título de bom pagador antes do esperado pelos economistas do banco alemão. O Deutsche calcula que gestores e fundos de todo o mundo teriam de desmontar posições de US$ 12 bilhões em bônus de bancos brasileiros com o downgrade, mas boa parte desse movimento já teria sido antecipado.

"Muitas análises sugerem que não era uma grande surpresa dado que a Standard & Poor's já tem o soberano do Brasil em BB+", dizem os analistas do banco em análise enviada nesta manhã aos clientes. O Deutsche destaca que os ativos brasileiros reagiram pouco após a notícia, o que reforça a avaliação de que a decisão já estava embutida no preço. Uma das poucas reações foi o bônus de 10 anos do Brasil que teve aumento do retorno de cerca de 8 pontos base após a notícia.

A casa alemã nota, porém, que o momento da decisão indica que o Brasil pode perder o título de bom pagador antes do previsto. "Nossos economistas de mercados emergentes destacaram que, nesse passo, parece que o Brasil vai perder o status de grau de investimento de pelo menos duas agências um pouco mais rápido que eles esperavam", cita o relatório. 

Diante do risco cada vez maior de o País perder o grau de investimento, os economistas do banco calculam que cerca de US$ 12 bilhões em bônus emitidos por bancos brasileiros estariam em risco, já que o rebaixamento da nota brasileira normalmente é acompanhado pela piora da nota dos bancos e empresas do País. Quando duas agências de classificação de risco colocam um emissor em "grau especulativo", a política de investimento dos fundos prevê que gestores são obrigados a vender tais ativos. 

"Os economistas ressaltam, no entanto, que o potencial de perda do grau de investimento tem sido bem sinalizada no mercado. Então, o atual posicionamento provavelmente já reflete isso de certa maneira", cita o relatório.

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