Grécia adia envio de lista de reformas para ministros de Finanças

Atraso na entrega de medidas, previstas para esta segunda, não deve ser visto como um problema, mas mostra que o novo governo grego está lutando para atender às demandas dos credores

O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2015 | 17h55

O governo grego adiou até a manhã de terça-feira, 24, a entrega da lista com as reformas que deverão ser feitas como parte do acordo de prorrogação da ajuda financeira à Grécia por mais quatro meses. Inicialmente, a entrega da lista estava prevista para esta segunda. Os ministros de Finanças da zona euro devem avaliar as reformas propostas durante uma teleconferência.

Embora o atraso não seja visto como um problema para Atenas na busca de uma extensão do programa de resgate de 240 euros bilhões de euros, ele mostra que o novo governo grego, liderado pelo Syriza, está lutando para atender às demandas de seus credores.

Uma autoridade da União Europeia, que preferiu não se identificar, afirmou que um pequeno atraso na entrega da lista não causaria grandes dificuldades, desde que as medidas propostas estejam em linha com os objetivos do programa de resgate da Grécia.

"Ainda estamos esperando a lista de hoje, mas se ele vier às 6h de manhã, tudo bem para nós", afirmou a fonte. O importante, segundo ela, é que a lista chegue antes da teleconferência de ministros das Finanças da zona do euro, previstas para amanhã à tarde.

Na semana passada, o governo grego disse que iria procurar uma extensão da ajuda - algo que havia se recusado a fazer antes. A prorrogação dará à Grécia tempo para negociar um novo acordo de financiamento para os próximos anos.

Alemanha e outros países da zona euro, entretanto, têm sido firmes com a Grécia, exigindo que o novo governo abandone suas promessas eleitorais de abolir medidas de austeridade.

De acordo com autoridades gregas, Atenas continua insistindo na implementação de quase todos os programas de combate à pobreza que prometeu em setembro. Isso inclui o fornecimento gratuito ou com baixo custo de comida, energia elétrica e serviços de saúde a famílias pobres.

O governo da Grécia espera arrecadar receita adicional de mais de 7 bilhões de euros por meio de novos impostos e outras reformas, informou o jornal alemão Bild, citando fontes. Segundo a publicação, Atenas pretende arrecadar 1,5 bilhão de euros com o fim do contrabando de combustíveis, 800 milhões de euros com a erradicação da venda ilegal de cigarros, 2,5 bilhões de euros com tributos sobre os mais ricos e outros 2,5 bilhões de euros com a cobrança de impostos atrasados de cidadãos e empresas.

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