Grécia adia pedido para renegociar ajuste fiscal

Notícia foi divulgada ontem e desmentida por fontes oficiais do governo grego, após a reação da Alemanha

Andrei Netto, correspondente de O Estado de S. Paulo,

16 de agosto de 2012 | 22h42

PARIS - O governo grego teria adiado por ora a intenção de pedir à Alemanha, à França e aos demais países da União Europeia o aumento do prazo para que as metas de equilíbrio fiscal sejam alcançadas por Atenas. A informação foi divulgada ontem pelo jornal grego Ta Nea.

De acordo com o Financial Times, o governo de Antonis Samaras faria o pedido à chanceler alemã, Angela Merkel, e ao presidente francês, François Hollande, nos dias 24 e 25, durante visitas a Berlim e Paris, informação que foi desmentida por fontes oficiais.

Pelo acordo firmado entre a Grécia, a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), a readequação do déficit orçamentário do país às normas de Bruxelas deveria acontecer a partir de 2016 - data na qual Atenas também começaria a pagar os dois empréstimos acordados em 2010 e 2011, de € 110 bilhões e de € 130 bilhões, respectivamente.

O problema é que os experts da troica e o governo de Samaras encontraram uma situação financeira ainda mais delicada do que o previsto. Assim, o prazo para o retorno à meta de 3,0% de déficit fiscal teria de ser adiado, sob pena de que novas medidas draconianas de austeridade tenham de ser adotadas.

O adiamento permitiria ao governo de Samaras escalonar ao longo de mais tempo os novos cortes orçamentários, avaliados em € 11,5 bilhões, que o Estado precisará fazer para atender às exigências da Europa.

Opções

Entre as alternativas avaliadas por Samaras, segundo os jornais Ta Nea e Financial Times, estão o adiamento de dois anos nas metas de equilíbrio - que teria de ser alcançado em 2018. Essa medida, porém, teria um custo estimado em € 20 bilhões, que Atenas estuda como pagar.

Entre as possibilidades estão usar recursos do FMI já emprestados à Grécia, emitir novas obrigações soberanas ou adiar o início do reembolso dos pacotes de socorro. Nesse caso, a data de início do pagamento passaria para 2020.

Desde a quarta-feira, a chancelaria da Alemanha vem afirmando que essa hipótese não está descartada, mas que Atenas precisa primeiro cumprir suas reformas mais imediatas, sem pleitear a renegociação do memorando de empréstimo.

"A chancelaria ouvirá o que Samaras tem a dizer sobre a situação da Grécia e sobre a implementação do programa", afirmou o porta-voz Steffen Seibert. "No entanto, o governo alemão entende que o protocolo assinado, detalhando as obrigações da Grécia, continua a ser a base de qualquer decisão em matéria de ajuda."

Na quarta-feira, o ex-chanceler social-democrata alemão Gerhard Schroeder, antecessor de Angela Merkel, pediu que o atual governo se mostre "mais solidário" com os gregos. "Se a Grécia avança nas suas reformas, é preciso lhes dar mais tempo", afirmou. "A manutenção do país na zona do euro não é fácil, mas é possível, a condição é que haja solidariedade e esforço comum."

Compromisso

Ainda ontem, no Canadá, Merkel reafirmou que seu país está comprometido a fazer tudo que puder para manter o euro, repetindo uma declaração feita pelo presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, em evento realizado em Londres no mês passado.

Após reunir-se com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, Merkel disse que "o que Draghi falou é algo que nós repetimos o tempo todo" desde que a crise na Grécia começou, há mais de dois anos. "O que estamos repetindo desde então é que nos sentimos comprometidos a fazer tudo que pudermos a fim de manter a moeda comum", disse Merkel. / COM DOW JONES NEWSWIRES

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