Grécia admite que sem dinheiro da UE e do FMI quebra

Advertências foram feitas no dia em que governo negociava com a oposição um novo pacote de austeridade

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PARIS

O governo da Grécia reconheceu ontem, em Atenas, que precisa do dinheiro da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para fechar suas contas. Caso contrário, o país quebra. As advertências foram feitas no dia em que o governo negociava com a oposição a adoção de um novo pacote de austeridade. Segundo o primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, sem o repasse de ? 12 bilhões previsto para os próximos dias, o país vai à falência.

O valor é referente à quinta parcela do empréstimo de ? 110 bilhões feito pelo Banco Central Europeu (BCE), pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF) e pelo FMI à Grécia em maio de 2010. "A verdade é que a situação é muito difícil e se não recebermos esse dinheiro até 26 de junho seremos obrigados a fechar os negócios e a declarar a impossibilidade de pagar nossas obrigações", reconheceu Papandreou, em entrevista à emissora de TV Sky Atenas.

Embora exponha a fragilidade da situação do país, o alerta faz parte de uma estratégia política do governo e de seu maior partido de sustentação, o Pasok, de esquerda, para pressionar os opositores do Nova Democracia, de direita. Os dois partidos travam uma queda de braço sobre o novo programa de austeridade previsto pelo governo grego, que inclui um programa de privatizações avaliado em ? 50 bilhões e novos cortes avaliados em ? 6 bilhões. O novo aperto do cinto faria parte das condições impostas pela UE, pelo BCE e pelo FMI para liberação da nova parcela do empréstimo.

Ontem, o euro retomou em parte sua forma, após uma segunda-feira marcada pelas incertezas relativas à Espanha e à Itália. A moeda única alcançou US$ 1,41, refletindo a redução das dúvidas sobre a situação dos dois países. Apesar do alívio momentâneo, o presidente do Banco Central da França, Christian Noyer, fez coro às queixas do presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, e advertiu que uma eventual renegociação da dívida grega seria uma tragédia com implicações em toda a União Europeia. "Hoje a reestruturação não é uma solução", disse Noyer, advertindo: "Ela criaria questões jurídicas muito complicadas, e há fortes chances que isso seja o equivalente a um calote".

Segundo o banqueiro, a Grécia, a Irlanda e Portugal não têm saída além de adotar planos de austeridade cada vez mais rigorosos para equilibrar suas contas internas. "O plano foi desenhado para permitir ao mesmo tempo facilitar o reestabelecimento das finanças públicas e a retomada do crescimento com medidas estruturais muito fortes", disse Noyer. /COM REUTERS E AFP

Apelo

GEORGES PAPANDREOU

PRIMEIRO-MINISTRO DA GRÉCIA

"A situação é muito difícil e senão recebermos esse dinheiro até dia 26 de julho não teremos como pagar nossas obrigações."

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