Grécia busca acordo imediato com a Europa

Menos de quatro meses após chegar ao poder, governo radical de esquerda de Alexis Tsipras abandona bandeiras e pede pressa na assinatura de entendimento com credores; Alemanha e França também pedem pressa

Andrei Netto, correspondente, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2015 | 17h39

PARIS - A Grécia e a União Europeia esperam fechar em Riga, na Letônia, um acordo sobre as reformas econômicas e administrativas que terão de ser realizadas pelo governo radical de esquerda de Alexis Tsipras em troca de € 7,2 bilhões da última parcela de empréstimo, que vem sendo contingenciada há nove meses. Na noite de segunda-feira o premiê grego admitiu que seu país precisa fechar um "acordo imediato" com Bruxelas e o Fundo Monetário Internacional (FMI), sob pena de enfrentar falta de liquidez e ser obrigado a decretar uma moratória de pagamentos.

Na reunião de cúpula de Riga estarão chefes de Estado e de governo de toda a UE, inclusive a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o presidente da França, François Hollande, e Tsipras, que podem dar o aval político ao fim das discussões técnicas. 

Até lá, especialistas do chamado Grupo de Contato - experts da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE), do FMI e do governo grego - vão continuar a se reunir em busca de um entendimento final. Segundo o ministro grego de Finanças, Yanis Varoufakis, o documento deve ser formalizado até o final dessa semana, o que colocará um fim nas negociações que se arrastavam desde o fim de janeiro. "Creio que estamos muito próximos de um acordo", afirmou Varoufakis.

A injeção de recursos diz respeito à última parcela do empréstimo de € 240 bilhões concedida a partir de 2012. Até aqui o governo de Tsipras resistia a implementar o pacote de reformas que havia sido acordado por seu antecessor no cargo, Antonis Samaras, líder do partido de direita Nova Democracia. Ao chegar ao poder, o premiê nomeou Varoufakis como seu negociar-chefe, mas a estratégia de postergar o acordo até o último instante em busca de uma melhor posição parece não ter dado certo. 

Atenas precisa de novos recursos porque não tem dinheiro suficiente para pagar € 1,5 bilhão ao FMI entre 5 e 9 de junho e ao mesmo tempo financiar o funcionamento da máquina pública - € 2,2 bilhões só para o pagamento de seguro social e de salários do funcionalismo. Sem um acordo com a Europa, a situação só tende a se agravar, já que entre junho e agosto um total de € 11 bilhões terão de ser reembolsados aos credores internacionais. Além disso, entre 12 e 30 de junho o governo precisa renovar € 5,2 bilhões em títulos da dívida pública. 

Segundo o próprio governo agora admite, a moratória de pagamentos é uma questão de tempo sem apoio europeu. "É preciso de um acordo imediato para resolver os problemas cruciais de liquidez", confirmou o porta-voz do governo da Grécia, Gabriel Sakellaridis.

Em Bruxelas, a porta-voz da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, frisou que os avanços na negociação são indiscutíveis, mas que o ritmo ainda é lento demais. "Será necessário tempo e esforços para reduzir as diferenças sobre questões que continuam em suspenso", disse a executiva.

Cientes da demora, Merkel e Hollande se encontraram ontem em Berlim e ressaltaram a intenção de acelerar as discussões para que a ajuda a Atenas seja desbloqueada. "Eu diria que é preciso acelerar as negociações", disse a chanceler. "Esperamos que o fórum adequado possa fazer progressos claros porque o acordo de fevereiro previa que um programa fosse implantado antes do fim de maio." Hollande frisou ainda que os novos rumores sobre a saída da Grécia da zona do euro são infundados. "Nós queremos que a Grécia continue na zona do euro e que possamos encontrar uma solução sustentável", reiterou o presidente, que vai se reunir em separado com Tsipras no encontro de Riga.

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