Grécia deve fechar acordo de coalizão nesta terça-feira

Governo de Samaras, de maioria de direita, terá a participação do Partido Socialista e possivelmente da Esquerda Democrática; há temor de nova falta de recursos

Andrei Netto, enviado especial,

18 de junho de 2012 | 19h29

ATENAS - Vencedor das eleições legislativas de domingo na Grécia, o líder do partido conservador Nova Democracia, Antonis Samaras, deve anunciar nesta terça-feira a formação de um governo de coalizão, encerrando a crise política que já durava mais de 40 dias. O acordo deve ser firmado com o Partido Socialista (Pasok) e também com a Esquerda Democrática (ED), criando uma maioria de 191 cadeiras no Parlamento, 40 acima do mínimo necessário para governar. Mesmo com a formação de um governo pró-austeridade, porém, os mercados financeiros temem a iminência de uma crise de liquidez no país.

A aliança é necessária porque nenhum dos partidos alcançou a maioria de 151 cadeiras no pleito realizado domingo, o segundo desde 6 de maio. Com 29,66% dos votos, a Nova Democracia de Samaras elegeu 128 deputados, à frente da Coalizão de Esquerda Radical, Syriza, de Alexis Tsipras, que reuniu 26,79% do eleitorado, formando uma bancada de oposição de 71 eleitos.

Ontem, o presidente da Grécia, Karolos Papoulias, pediu urgência aos partidos envolvidos nas tratativas. "Há um imperativo categórico de formar um governo desde esta segunda-feira", exortou o chefe de Estado.

Samaras iniciou a negociação de alianças políticas encontrando-se com o líder do Pasok, o ex-ministro da Economia Evangelos Venizelos. Ex-maior partido do país, os socialistas alcançaram apenas 12,28%, elegendo 33 deputados. Juntos, os dois partidos teriam 161 parlamentares, 10 acima do mínimo. Ainda assim, o futuro primeiro-ministro procurou líderes da Esquerda Democrática, dissidente do PS, para que o partido também participe da coalizão, como o Estado antecipou no domingo. Contrários à política de austeridade, os líderes do partido de direita Gregos Independentes, dissidente do ND, também foram procurados.

Apesar da expectativa que ainda paira, Samaras não conseguiu concluir o acordo de aliança ontem e confirmou que "as tratativas continuarão nesta terça-feira para formar um governo de salvação nacional". Segundo Venizelos, a celebração da aliança é questão de tempo. "O país precisa imediatamente de um governo e as negociações devem ser concluídas até amanhã", disse ele.

Costa Mousouroulis, deputado do Nova Democracia, confirmou ao Estado que a coalizão deve ser firmada nas próximas horas. "Estou certo de que teremos um governo desta vez", disse o parlamentar, que apostou em uma coalizão de três partidos, "se não houver mais". "A partir de então vamos enfrentar juntos os problemas de governança do país", garantiu.

Enquanto Samaras desata o nó político evitando mencionar a palavra "austeridade", a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, voltou à carga ontem. A chefe de governo insistiu que o novo gabinete deverá cumprir os compromissos assumidos em troca do segundo plano de socorro, de € 130 bilhões, concedido em fevereiro. "O governo grego deve botar em curso seus engajamentos", disse ela, descartando um terceiro plano de resgate, que seria a renegociação dos anteriores.

Sinais de que as divergências continuam acentuadas na zona do euro, os rumores sobre a renegociação dos auxílios a Atenas continuaram a crescer em Bruxelas, Paris e Berlim. Uma das hipóteses é de que o prazo até 2014 dado para que os cortes orçamentários de € 11,7 bilhões sejam feitos poderia ser alongado até 2016. Consultados sobre o tema, José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, e Herman Van Rompuy, presidente do Conselho Europeu, limitaram-se a afirmar que "continuarão a apoiar a Grécia como membro da família do euro".

A insegurança crônica em relação à capacidade de Atenas de sanear suas finanças causou novos altos e baixos nos mercados financeiros ao longo do dia. Ao final do pregão, o índice ASE da bolsa grega fechou com ganho de 3,64%. Ainda assim, Mario Monti, primeiro-ministro da Itália, afirmou que "os mercados não estão convencidos que os resultados das eleições na Grécia encerram os problemas da zona do euro".

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