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Grécia deveria ter opção de sair da zona do euro, afirma Unctad

Para o presidente da entidade Supachai Panitchpakdi, é preciso dar flexibilidade para os países da zona do euro

LONDRES, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2012 | 03h02

A zona do euro só poderá sobreviver no longo prazo se seus integrantes tiverem permissão para abandoná-la e aderir novamente a ela, e a Grécia deveria ser o primeiro país a poder ter essa opção, disse o presidente da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad), Supachai Panitchpakdi.

Supachai foi vice-primeiro-ministro e ministro do comércio da Tailândia de 1997 a 1999, quando ele se tornou o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), e portanto tem conhecimento em primeira mão das dificuldades que os países encontram para resolver os problemas de dívidas.

Agora secretário-geral da Unctad, Supachai acredita que é essencial para a saúde da economia mundial que a zona do euro consiga sobreviver, mas que é necessária maior flexibilidade para que ela consiga atravessar a crise. "Isso significa que a zona do euro não é estanque para sempre, com um número fixo de participantes", disse Supachai. "Deve ser flexível o suficiente para permitir que os países entrem e saiam do bloco."

Supachai disse que os países podem cometer erros nas suas políticas econômicas, e um bloco como a zona do euro precisa ser realista sobre esse fato, permitindo aos países entrar e sair do bloco para que possam se beneficiar de uma desvalorização de sua moeda e, consequentemente, aumentar suas exportações.

"Não vivemos num mundo ideal", afirmou Supachai. "Se levarmos em conta que os países às vezes erram significativamente (em suas políticas), a única solução é permitir a eles evitar uma contração de sua economia, não cometendo suicídio".

Para ele, a Grécia talvez precise abandonar a zona do euro. "Talvez haja a necessidade para uma solução temporária, para permitir à Grécia a opção de sair", disse Supachai. "A Grécia precisa ter também a opção de voltar. Isso não significa o fim da zona do euro, pelo contrário."

Em declaração feita a um programa da televisão da rede britânica BBC, a chanceler alemã Angela Merkel disse que seria "catastrófico" permitir que a Grécia deixasse a zona do euro.

Ela disse que Atenas tem "uma longa e árdua estrada" até a recuperação, depois que o país foi forçado a pedir dois pacotes internacionais de resgate, mas que seria um "erro político enorme permitir que a Grécia deixe" a moeda única europeia.

"Nós tomamos a decisão de sermos uma união monetária. Não se trata apenas de uma decisão monetária, e sim de uma decisão política.", disse Merkel.

"Seria catastrófico se disséssemos a um dos que decidiu estar conosco 'não o queremos mais'. "A propósito, os tratados (da UE) não permitem isso, de qualquer forma. Pessoas em todo o mundo perguntariam 'quem será o próximo?' A era do euro ficaria incrivelmente enfraquecida."

Merkel também reiterou seu apoio à forte presença do Reino Unido na UE, apesar da medida tomada pelo primeiro-ministro David Cameron de bloquear um novo pacto fiscal, em dezembro. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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