Grécia discutirá medidas com União Europeia e FMI

A Grécia terá uma semana crucial pela frente. O país vai receber uma delegação da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para discutir novas medidas de austeridade para solucionar seu grande déficit orçamentário. A chegada da delegação coincide com planos do governo para testar o mercado com uma segunda emissão de bônus neste ano e com preparativos de sindicatos do país para iniciar uma greve na quarta-feira.

DANIELLE CHAVES E CYNTHIA DECLOEDT, Agencia Estado

22 de fevereiro de 2010 | 09h35

O governo vai se reunir com representantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu e do FMI para debater uma nova série de medidas no valor de 2,5 bilhões de euros (US$ 3,4 bilhões) para reduzir seu déficit. A Comissão Europeia reforçou a pressão sobre a Grécia hoje, ao dizer que recebeu apenas respostas parciais do governo grego sobre uma série de acordos que podem ter sido usados para mascarar a dívida do país.

A Comissão deu à Grécia um prazo até o dia 19 de fevereiro para revelar detalhes dos acordos. O pedido seguiu-se a relatos de que o banco norte-americano Goldman Sachs ajudou o país a ocultar seus níveis de dívida por meio de uma série de acordos de derivativos complexos. "Nós recebemos algumas informações, mas não todas as relevantes", afirmou o porta-voz da Comissão Europeia para questões econômicas, Amadeu Altafaj.

Segundo uma fonte, o novo pacote de medidas da Grécia será anunciado antes da reunião de ministros de Finanças europeus, marcada para 16 de março. O novo pacote provavelmente estará relacionado aos planos do governo grego de levantar entre 3 bilhões de euros e 5 bilhões de euros por meio de uma emissão de bônus de dez anos, a segunda do ano, que pode ser realizada já nesta semana.

Também estão em discussão um aumento do atual imposto sobre valor agregado de 19%, novos cortes nos bônus dos servidores públicos, maiores tarifas sobre produtos de luxo e elevações nos impostos sobre combustíveis.

Alemanha

Apesar das negações do governo da Alemanha, as informações de que o país contribuiria com 20% em um pacote de ajuda financeira à Grécia continuam se espalhando na imprensa alemã. Hoje, o jornal Financial Times Deutschland reportou detalhes de uma suposta operação semelhantes aos divulgados no fim de semana em edição da revista semanal Der Spiegel.

Segundo as informações, a zona do euro (que reúne os 16 países que adotam o euro como moeda) estaria preparando um pacote de ajuda de 20 bilhões de euros a 25 bilhões de euros para a Grécia, com participação alemã de 4 bilhões de euros a 5 bilhões de euros (20%). O jornal acrescenta, no entanto, que as informações constam de um memorando interno do governo, descrevendo os riscos aos bancos alemães de uma ampliação da crise grega.

O Ministério das Finanças da Alemanha negou ontem as informações da Der Spiegel. Hoje, o porta-voz do ministério, Martin Kreienbaum, reiterou que o governo alemão não tomou qualquer decisão sobre um pacote de ajuda à Grécia, incluindo qualquer forma específica de ajuda ou montante. O ministério afirmou ainda esperar que a Grécia possa refinanciar sua dívida em março. As informações são da Dow Jones.

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