Alkis Konstantinidis/Reuters
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Grécia e credores consideram estender programa de ajuda até março de 2016

Segundo fontes, a Grécia poderá receber € 10,9 bilhões que haviam sido separados para recapitalização de bancos, mas condições colocam acordo em risco

Dow Jones

08 de junho de 2015 | 16h06

BRUXELAS - Os credores internacionais da Grécia sugeriram estender o programa de resgate do país até o fim de março de 2016, mas divergências sobre as condições atreladas à continuação do suporte e sobre o que pode acontecer em seguida colocaram o plano sob risco. As informações são de três pessoas com conhecimento das negociações.

A parte da zona do euro no programa de resgate de € 245 bilhões (US$ 272 bilhões) da Grécia termina no fim de junho, o que tem levantado questões sobre como Atenas vai pagar as dívidas depois deste mês e se o país permanecerá na zona do euro. Para garantir que a Grécia não fique sem dinheiro até o fim de março, o governo teria acesso a cerca de € 10,9 bilhões que haviam sido separados para recapitalização dos bancos, de acordo com as fontes.

"O que nós oferecemos significa que a Grécia seria totalmente financiada até março de 2016", disse uma das fontes, referindo-se à reunião da semana passada entre o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e Jeroen Dijsselbloem, ministro de Finanças da Holanda e presidente do Eurogrupo.

Naquela reunião, Juncker e Dijsselbloem ofereceram uma extensão do programa e financiamento extra em troca da implementação de reformas políticas, cortes nas pensões e aumentos de impostos, segundo as fontes. Tsipras rejeitou os termos e classificou-os como "inaceitáveis".

O fracasso em alcançar um acordo sobre as condições da nova ajuda colocou o plano oferecido na semana passada sob risco. "Cada dia adicional de saída de capital (dos bancos gregos) significa que menos dinheiro pode ser sacado (do fundo de recapitalização bancária) e, em vez disso, tem de ser usado para estabilizar os bancos", comentou uma das fontes.

Outro fator que ainda impede um acordo é o que aconteceria depois de março. Uma das fontes afirmou que a Grécia insiste que não quer um terceiro programa de resgate - que muitos credores dizem ser necessário - e que não vai obedecer os cortes de gastos impostos pelos credores depois de março.

Risco de calote. O ministro de Finanças da Grécia, Yannis Varoufakis, pediu aos credores internacionais do país para se comprometerem com as negociações em torno do programa de resgate grego, ressaltando que um acordo é urgentemente necessário para prevenir o que poderia ser a saída sem intenção da Grécia da zona do euro. 

"O que nós precisamos é de um acordo rápido", disse Varoufakis ao participar de um evento sobre o futuro da Europa. 

Há meses a Grécia e seus credores internacionais tentam negociar um acordo e, enquanto o tempo passa, o país vai ficando sem recursos, podendo dar calote e se ver obrigado a sair da zona do euro. A Grécia tentar liberar uma parcela de € 7,2 bilhões do programa de ajuda no total de € 245 bilhões. 

Segundo Varoufakis, a Grécia não conseguirá realizar as reformas solicitadas se elas forem muito duras. "Este governo tem a capacidade de convencer as pessoas - uma capacidade que os governos anteriores não tinham - de que precisamos de reformas", comentou.

Em entrevista ao jornal alemão Tagesspiegel, Varoufakis manteve o tom crítico ao  credores. "Você só faz uma proposta nesse sentido se realmente não quiser chegar a um acordo."

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