Grécia é 'radicalmente' contra privatização de alguns setores

Declaração de ministro grego de Energia se referiu especificamente aos setores de energia e infraestrutura

ATENAS, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2015 | 02h04

O novo governo da Grécia afirmou ser "radicalmente contra" a privatização de alguns setores, principalmente de infraestrutura e energia, afirmou Panagiotis Lafazanis, ministro de Energia e Ambiente, em uma conferência em Atenas antes do encontro com os credores internacionais sobre as reformas no país.

A venda de empresas estatais é uma das ações que a Grécia deve tomar para arrecadar fundos e reduzir a dívida, em troca de empréstimos concedidos pelo Eurogrupo e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

As negociações entre Grécia e seus credores internacionais começaram ontem, em Bruxelas, e têm o objetivo de levar a cabo uma série de reformas no país. Apenas depois de implementar essas reformas, a Grécia vai obter os recursos restantes do resgate para evitar a falência.

"Honestamente, eu nunca entendi por que, para algumas correntes de pensamento, a privatização tornou-se sinônimo de reformas", comentou Lafazanis.

O ministro afirmou que a "desregulação neoliberal no mercado de energia, que ocorreu, principalmente, nos últimos anos de resgate com a insistência da Comissão Europeia e da troica", prolongou e exacerbou a crise econômica da Grécia e a precariedade da energia no país.

A chamada troica refere-se à Comissão Europeia, ao FMI e ao Banco Central Europeu (BCE), que, juntos, supervisionam os 240 bilhões do pacote de resgate que a Grécia começou a receber em 2010.

O governo da Grécia diz que a palavra troica faz menção aos funcionários dessas instituições que iam ao país para realizar inspeções e com os quais o governo se recusa a trabalhar em conjunto novamente.

Em seu discurso de ontem, Lafazanis afirmou que a Grécia busca diversificar suas fontes de energia, mas não quer ser dependente de "nenhum poder e nenhuma coalizão de países". "A Grécia é um país muito pequeno para depender da tutela econômica de troicas(...) com o status de uma república de banana", comentou. / ASSOCIATED PRESS

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