REUTERS/Francois Lenoir
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Grécia e UE ainda tentam chegar a acordo

Chefes de Estado e de governo discutem o aval político para o início da renegociação da dívida de Atenas, que chega a € 316 bilhões

Andrei Netto, correspondente , O Estado de S. Paulo

13 Fevereiro 2015 | 21h54

Chefes de Estado e de governo da União Europeia continuavam reunidos no final da noite desta sexta-feira em busca de um acordo de base sobre a renegociação das dívidas da Grécia. A discussão entre Atenas e seus principais credores públicos - a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE), bancos centrais nacionais e o Fundo Monetário Internacional (FMI) - monopolizou a agenda em Bruxelas e pode levar à extensão do programa de socorro ao país, com redução da austeridade.

Depois do choque entre o ministro grego de Finanças, Yanis Varoufakis, e os demais membros do fórum de ministros das Finanças da zona do euro (Eurogrupo), na segunda e terça-feira, o objetivo era buscar uma decisão política sobre as bases da renegociação, que seriam retomadas pelos técnicos do Eurogrupo na nova reunião extraordinária convocada para a partir da segunda-feira, 16.

Otimismo. A cúpula marcou também a estreia do primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras. Ontem à tarde, o radical de esquerda demonstrava otimismo sobre a possibilidade de chegar a um denominador comum com Bruxelas. “Se há um acordo técnico, quer dizer que haverá um acordo político”, afirmou, afastando a hipótese de que Atenas seja obrigada a deixar a União Europeia. “Toda a discussão e a evolução hoje assinala uma disposição para um acordo político. Ficou provado que ninguém quer criar condições para uma ruptura”, disse.


Tsipras reiterou que seu governo está pronto a respeitar os acordos que serão firmados com a Europa, e que não pedirá um novo haircut, um abatimento na dívida nacional, de € 316 bilhões - ou 175% do Produto Interno Bruto (PIB). “Estou certo de que todos juntos podemos encontrar uma solução viável para cuidar de nossas feridas causadas pela austeridade”, afirmou. “Estamos em uma virada crucial para a Europa.”

O otimismo de Tsipras, entretanto, era apenas parcialmente compartilhado por Jeroen Dijsselbloem, coordenador do Eurogrupo. O ministro de Finanças da Holanda foi o encarregado de prestar contas aos chefes de Estado e de governo sobre o andamento das discussões com a Grécia durante a semana. Ele advertiu para as dificuldades de um acordo de princípios sobre a renegociação ainda ontem. 

“Tenho boas esperanças de que teremos um resultado sobre a parte técnica do processo, porque creio que é simplesmente uma questão de comparar as diferentes medidas”, afirmou, referindo-se às ações propostas por Bruxelas e por Atenas em substituição às medidas de austeridade. “Mas estou muito prudente sobre o aspecto político. Será difícil, tomará tempo”, ressalvou Dijsselbloem.

A espera à qual ele se referia se concretizou. Até as 23h15 de sexta-feira - 20h15 de Brasília - a reunião de cúpula da UE prosseguia a portas fechadas, indicando que o encontro avançaria madrugada adentro. 

De acordo com rascunhos do entendimento, obtidos pela agência Reuters, a renegociação da dívida previa a extensão do segundo plano de resgate financeiro, cuja data-limite é 28 de fevereiro - Atenas ainda tem uma parcela de € 7 bilhões em empréstimo a receber. 

O programa de socorro - ao todo, foram € 240 bilhões em duas linhas de financiamento - seria mantido, mas abrindo a possibilidade de o governo de Tsipras decidir parte dos investimentos. Na prática, Bruxelas reduziria a tutela sobre a Grécia, mas as medidas de austeridade seriam aliviadas após provocarem uma depressão que reduziu o PIB do país em 24% em cinco anos e elevou o desemprego a 26% da população ativa.

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