Grécia faz acordo com a troica e vai cortar 11,5 bi

Delegação de inspetores da Comissão Europeia, do BCE e do FMI se reuniu ontem com o ministro das Finanças grego, que expôs um plano de reformas

ATENAS, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2012 | 03h06

A Grécia chegou a um acordo com inspetores da troica - formada por Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - para medidas de austeridade que têm o objetivo de cortar os gastos em 11,5 bilhões (US$ 13,9 bilhões) nos próximos dois anos, segundo um funcionário do Ministério de Finanças.

A delegação da troica se reuniu ontem com o ministro de Finanças grego, Yannis Stournaras. O encontro fez parte da primeira avaliação formal do progresso da Grécia em implementar reformas atreladas ao auxílio financeiro recebido pelo país desde a formação de um governo tripartite de coalizão, em junho.

A Grécia tenta convencer os credores internacionais que pretende acelerar o programa de reformas imposto como condição pelo último pacote de resgate, de 173 bilhões. Sem o aval da troica, Atenas poderá não receber um novo desembolso da ajuda, previsto para setembro.

Os líderes da coalizão de governo formada por três partidos concordaram com o esboço básico dos cortes de gastos que o país deverá fazer para cumprir seus compromissos, divulgou ontem a rede de TV estatal Net.

De acordo com o canal de TV, os líderes discutiram os cortes num "clima positivo"..

Os líderes da coalizão continuarão nos próximos dias as conversas sobre propostas de reformas e cortes no orçamento, disse o líder do Partido Socialista (Pasok), Evangelos Venizelos. "As discussões continuarão até segunda-feira", afirmou, acrescentando que as conversas incluirão "avaliações técnicas".

Venizelos fez os comentários após uma reunião de duas horas com o primeiro-ministro Antonis Samaras, do Nova Democracia, e Fotis Kouvelis, do Esquerda Democrática.

Mantra. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, cobrou ontem a implementação do programa de reformas combinado com os credores internacionais, mas reafirmou a posição do país na zona do euro. "A palavra-chave é: entregar, entregar, entregar. O principal assunto é: implementação para entregar resultados", disse Barroso após encontro com Samaras, numa reunião que durou duas horas. "Para manter a confiança dos parceiros europeus e internacionais, os atrasos devem acabar. Palavras não são suficientes; ações são muito mais importantes do que palavras. A Grécia é parte da zona do euro e nós pretendemos que continue. Todos os chefes de Estado da zona do euro afirmaram que a Grécia deve permanecer na zona do euro, desde que os compromissos sejam honrados", acrescentou.

Ainda ontem, o Fundo Monetário Internacional (FMI) confirmou que qualquer necessidade adicional de financiamento para o programa de resgate da Grécia, seja por meio de reestruturação da dívida ou de recursos extras, teria de vir da União Europeia. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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