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Grécia faz plano para negociar reformas

Eurogrupo retoma hoje discussões para reescalonar a dívida grega de € 316 bilhões

ANDREI NETTO, O Estado de S.Paulo

16 Fevereiro 2015 | 02h03

PARIS - O governo da Grécia se prepara para apresentar à União Europeia um plano de reformas econômicas, no que considera ser um passo decisivo para um acordo sobre a renegociação de suas dívidas soberanas, que somam € 316 bilhões - ou 175% do Produto Interno Bruto (PIB). O anúncio foi feito ontem, em Atenas, na véspera da reunião do fórum de ministros de Finanças da zona do euro (Eurogrupo), que terá início hoje, em Bruxelas.

Acenar com reformas foi a forma encontrada pelo governo radical de esquerda de Alexis Tsipras para acalmar os dirigentes europeus, que na madrugada de sábado deram o aval político para que as discussões técnicas aconteçam no Eurogrupo. Segundo o porta-voz do governo, Gabriel Sakellaridis, ficou acertado na cúpula da União Europeia de sexta que Atenas apresentaria um "plano nacional de reformas", que substituirá o atual carnê de reformas exigidas pelos maiores credores públicos da Grécia - a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

O "plano nacional" deve manter cerca de 70% dos projetos de reformas já acertados com Bruxelas, mas rever os outros 30%. No final de semana, conselheiros econômicos do governo discutiam com técnicos da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre as reformas que seriam privilegiadas.

O objetivo é anular programas de privatizações e concentrar as medidas na reformulação da administração pública, na luta contra a corrupção e a evasão fiscal, exigindo mais de classes abastadas e desapertando o cinto sobre quem tem renda mais baixa. "Nós queremos discutir onde há problemas de privilégios, mas não iremos afrontar a sociedade", advertiu Sakellaridis, em entrevista à rede Skai TV. O que é certo, segundo o porta-voz, é que o país vai abandonar o programa de reformas de "austeridade fiscal", imposto ao país.


Última chance. A reunião do Eurogrupo é considerada por líderes políticos e por investidores internacionais como uma última oportunidade de entendimento. Isso ocorre porque Atenas terá de tomar uma decisão sobre se adotará as medidas previstas pela Comissão Europeia, pelo BCE e pelo FMI em troca da última parcela de € 7 bilhões do segundo plano de resgate, de € 145 bilhões, assinado em 2011. No total, o país recebeu € 240 bilhões em empréstimos para evitar a falência, em dois programas que têm data de vencimento em 28 de fevereiro. Se romper o acordo com Bruxelas, ou se não puder reembolsar os cerca de € 25 bilhões em empréstimos que precisa pagar em 2015, Atenas não teria outra alternativa a não ser decretar uma moratória de pagamentos, o que levaria o país a deixar a zona do euro e a União Europeia.

Mas, segundo o ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, a tendência é de entendimento na reunião do Eurogrupo. "Nossa posição, fundada na lógica, é forte e conduzirá a um acordo, mesmo no último minuto ou após o último minuto", garantiu Varoufakis, em entrevista ao jornal Kathimerini. "A Europa sabe construir acordos honoráveis a partir de desacordos honoráveis."

O otimismo de Varoufakis contrasta com a prudência manifestada no sábado pelo coordenador do Eurogrupo, o ministro de Finanças da Holanda, Jeroen Dijsselbloem. "Os gregos têm grandes ambições, mas as possibilidades, diante do estado da economia grega, são limitadas", disse ele.

Para Tsipras, que na quinta e sexta-feira participou pela primeira vez de uma reunião de chefes de Estado e de governo da UE, as negociações serão duras. "Eu espero negociações difíceis na segunda-feira, mas estou confiante", afirmou à revista alemã Stern. "Nós não queremos mais empréstimos de ajuda. Em lugar de dinheiro, queremos tempo para implementar nosso plano de reformas."

Na sexta-feira, a chanceler da Alemanha contrariou seu discurso usual de firmeza na defesa da "austeridade fiscal" e garantiu que haveria espaço para negociações. "A Europa sempre busca chegar a um compromisso", disse a chanceler.

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