Grécia fecha proposta para cortes de 13,5 bi nos gastos

Primeiro-ministro deveria se reunir na noite de ontem com partidos da coalizão do governo para aparar arestas

ATENAS, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h07

A Grécia definiu um pacote de medidas de austeridade para reduzir o déficit orçamentário do país nos próximos dois anos, disse ontem o ministro de Finanças grego, Yannis Stournaras. "Fechamos um pacote (de medidas), mas faremos uma reunião à noite (ontem) para definir a coordenação e o cronograma para as ações", disse o ministro após reunião de duas horas com o primeiro-ministro grego, Antonis Samaras.

A Grécia está se esforçando para cortar 13,5 bilhões em gastos a serem implementados em 2013 e 2014 para trazer o déficit orçamentário do país abaixo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) no prazo de dois anos, conforme prometido aos credores internacionais.

Uma reunião estava programada para a noite de ontem entre Samaras e os líderes dos outros dois partidos que integram a coalizão de governo para chegar a um acordo final sobre os cortes orçamentários, antes da visita da missão da troica - formada por representantes do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia - na próxima semana.

Esses cortes, entre outras reformas, são uma precondição para a Grécia receber a próxima tranche de ajuda financeira externa, no valor de 31 bilhões.

A delegação da troica deverá retornar a Atenas na próxima semana para avaliar o progresso do país nos seus esforços de reforma. A expectativa é que o veredito seja divulgado até o começo de outubro, antes da reunião dos ministros de Finanças da zona do euro marcada para 8 de outubro, em Bruxelas, onde deverá ser decidida a liberação dos recursos de ajuda à Grécia.

Plano. Ainda ontem, o ministro do Desenvolvimento, Costis Hatzidakis, anunciou que o país planeja estabelecer "zonas econômicas especiais" para atrair investimento privado e ajudar a tirar sua endividada economia da depressão.

As zonas ofereceriam aos investidores vantagens administrativas e tributárias. O governo grego já está mantendo negociações com a Comissão Europeia para obter seu aval a essa iniciativa, disse o ministro. "Nós acreditamos que essas zonas vão estimular a economia real por criarem um regime especial para atrair investimento e gerar exportações."

O anúncio ocorre num momento em que a Grécia se esforça para erguer sua frágil economia, agora no quinto ano consecutivo de recessão. Zonas econômicas especiais já foram adotadas antes por países em desenvolvimento, com destaque para a China, com o objetivo de estimular o crescimento.

Reformas estruturais, como cortes de salários, estão previstos no plano de resgate da União Europeia e FMI para evitar um caótico calote e possível saída da zona do euro. Mas o governo grego critica o plano dos credores por ter excessivas medidas de austeridade e poucas destinadas à recuperação econômica. / DOW JONES NEWSWIRES

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