Grécia fracassa em fechar acordo

Alexis Tsipras diz que entendimento pode ser selado em 10 dias, mas Alemanha e França exigem compromissos técnicos de Atenas

ANDREI NETTO , CORRESPONDENTE / PARIS , O Estado de S.Paulo

23 Maio 2015 | 02h03

A expectativa grega de um acordo político para pôr fim imediato à nova fase da crise das dívidas da Grécia naufragou na noite de ontem, em Riga, na Letônia. Depois de uma série de reuniões bilaterais, o primeiro-ministro, Alexis Tsipras, ouviu da chanceler da Alemanha, Angel Merkel, e do presidente da França, François Hollande, que terá de continuar a negociar com técnicos em Bruxelas se quiser obter a liberação da parcela de empréstimo de € 7,2 bilhões retida desde agosto de 2014, evitando o calote de pagamentos.

A turbulência foi mais uma vez um dos temas centrais da cúpula da União Europeia, roubando espaço da parceria com os países do leste e das reivindicações do primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, sobre a integração com Bruxelas.

A expectativa de um acordo cresceu no início da semana, quando Alexis Tsipras e o ministro grego de Finanças, Yanis Varoufakis, estimaram que o entendimento com os credores públicos - Comissão Europeia (CE), Banco Central Europeu (BCE) e Fundo Monetário Internacional (FMI) - poderia ser assinado até o fim da semana.

Tsipras se encontrou por duas horas na noite de quinta-feira com Merkel e Hollande, e ontem teve outro longo encontro com o presidente da comissão, Jean-Claude Juncker. Nos encontros, o premiê grego pediu um sinal político forte da parte de Bruxelas, mas ouviu dos líderes da Alemanha e da França que deve retornar à mesa de negociações com os peritos europeus para afinar seu plano de reformas antes de um acordo definitivo. Ainda assim, Tsipras se disse muito otimista em chegar logo a uma "solução viável, sustentável e de longo termo sem os erros do passado".

Linha dura. Já Merkel foi mais reticente. Embora o governo alemão tenha desmentido seu ministro de Finanças, Wolfgang Schaeuble, que nesta semana voltou a evocar a possibilidade de retorno do dracma como moeda da Grécia, a chanceler cobrou o aprofundamento das negociações. "Está claro que o trabalho das três instituições ainda vai continuar", disse Merkel, referindo-se à Comissão Europeia, ao BCE e ao FMI. "Há muito o que fazer." Hollande, por sua vez, mostrou-se atento aos prazos da negociação. A Grécia precisa reembolsar € 1,5 bilhão ao Fundo no começo de junho, mas faltam recursos.

"Todos nós sabemos qual é o prazo final, porque por volta de 6 ou 7 de junho a Grécia vai precisar de liquidez para honrar alguns reembolsos", confirmou o presidente francês. "Mas o que nos interessa, à chanceler e a mim, são as respostas que a Grécia pode dar para liberar os fundos que darão ao país meios de pagar os valores devidos em junho."

Para de fato cumprir o prazo de dez dias estimulado por Tsipras, o governo grego terá de acelerar o entendimento nas próximas reuniões. Na segunda-feira, negociadores de Atenas voltam a Bruxelas para uma nova rodada de negociações técnicas em Bruxelas.

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