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Grécia, Irlanda e Portugal: os três porquinhos

Em vez de se alinharem à Grécia em sinal de solidariedade, Irlanda e Portugal apoiam a austeridade defendida por seus credores

C. R., Economist.com

18 Fevereiro 2015 | 11h06


No dia 16 de fevereiro o Eurogrupo (formado pelos ministros das finanças dos 19 países que formam a zona do euro) se reuniu para decidir se deveria alterar as condições para o resgate da Grécia. Levando-se em consideração o fato de os governos alemão e grego não demonstrarem nenhuma intenção de ceder, não surpreende que as negociações tenham se encerrado no final da tarde sem nenhum resultado. O ministro das finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, se opõe veementemente a qualquer modificação. Ironicamente, o mesmo dizem os governos de Irlanda e Portugal. Como a Grécia, esses dois países se fartaram com o crédito barato antes da crise, sofreram o derretimento de seus sistemas bancários e foram obrigados a suportar a austeridade que veio como condição para seus próprios resgates. Mas, em vez de se alinhar à Grécia em sinal de solidariedade, os dois países estão imitando a posição de seus credores.

Irlanda e Portugal não têm dificuldades para assumir a posição dos credores: suas economias voltaram recentemente a funcionar. Nos dois anos mais recentes, o crescimento econômico foi retomado, o desemprego começou a cair e o rendimento dos títulos da dívida pública está agora mais baixo do que antes da crise financeira. De fato, na reunião do dia 16, o ministro das finanças de Portugal tentou quitar parte dos empréstimos do resgate antes da data combinada.

Ainda que em termos de endividamento e regulamentação sufocante para o crescimento os problemas da Grécia fossem muito piores que os de Irlanda e Portugal, suas reformas também começavam a dar frutos. Perto do final do ano passado, o PIB começou a aumentar novamente e o desemprego começou a cair, trazendo algum alívio para muitos gregos empobrecidos. Mas, desde dezembro, quando foram convocadas as eleições do mês passado, os indicadores macroeconômicos passaram a apontar na direção oposta. A arrecadação do governo começou a cair, o déficit comercial passou a aumentar e o desemprego voltou a subir os degraus. A tragédia grega envolvendo o Syriza pode se revelar o drama de ter derrubado o carrinho da colheita de maçãs justamente quando a Grécia estava prestes a receber a recompensa pelos sacrifícios feitos pelo seu povo nos anos mais recentes.

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Da Economist.com, traduzido por Augusto Calil, publicado sob licença. O artigo original, em inglês, pode ser encontrado no site www.economist.com

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