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Grécia não terá tratamento especial, alerta FMI

Lagarde, do FMI, e Mario Draghi, do BCE, indicam que há pouco espaço para um perdão da dívida; Eurogrupo se reúne nesta 2ª feira

Reuters e Agência Estado

26 de janeiro de 2015 | 10h01

A Grécia tem de respeitar as regras da zona do euro e não pode exigir tratamento especial para sua dívida na esteira da vitória do partido contrário à austeridade Syriza, afirmou em entrevista a um jornal a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

"Existem regras internas na zona do euro a serem respeitadas", disse Lagarde ao Le Monde. "Não podemos fazer categorias especiais para tal ou tal país."Lagarde acrescentou que a Grécia ainda precisa realizar reformas importantes, como arrecadação de impostos e redução de atrasos judiciais."Não é uma questão de medidas de austeridade, essas são reformas profundas que restam ser feitas", disse ela.

O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi,  também demonstrou que há pouco espaço para um perdão da dívida grega. Em carta enviada a um parlamentar grego e divulgada nesta segunda pelo BCE, Draghi afirma que a carga tributária da Grécia ainda é inferior à media europeia, mesmo depois de ter crescido nos últimos anos.  

"A proporção da carga tributária em relação ao PIB (incluindo contribuições de seguridade social), de 34,2% em 2013, continua bem abaixo da média da zona do euro e da União Europeia", disse Draghi na carta, que foi encaminhada a Kostas Chrysogonos, integrante do Parlamento Europeu.  

A divulgação da carta veio horas depois de o partido opositor esquerdista Syriza vencer as eleições nacionais da Grécia neste domingo, em meio a uma onda de insatisfação popular com medidas de austeridade impostas a Atenas por credores internacionais em troca de pacotes de ajuda. Chrysogonos é filiado ao Syriza.  

Na carta, Draghi defendeu ainda o papel do BCE, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI), grupo conhecido como troika, na coordenação da ajuda financeira à Grécia.  

"Os conselhos dados pela troica têm o objetivo de alcançar finanças públicas saudáveis, estabilidade financeira, competitividade e políticas econômicas sólidas e, desta forma, criar condições para o crescimento sustentável e criação de empregos em países (que tenham recebido programas de ajuda)", escreveu Draghi.  

Também segundo Draghi, o programa da Grécia "incluiu várias reformas destinadas a melhorar a estrutura tributária e as características gerais do sistema tributário, assim como medidas para ampliar a eficiência da administração fiscal e aprimorar o combate à sonegação".

Os ministros de Finanças da zona do euro, que formam o Eurogrupo, vão discutir nesta segunda-feira uma possível extensão do atual programa de resgate da Grécia, afirmou Jeroen Dijsselbloem, presidente do grupo. A autoridade também alertou, porém, que há pouca disposição no bloco para perdoar as dívidas do governo grego. 

Com relação a um cancelamento das dívidas que a Grécia tem com seus parceiros da zona do euro, Dijsselbloem declarou que o bloco já atuou para aliviar a pressão sobre o país ao reduzir os juros sobre a dívida e estender os vencimentos. "Sobre cancelar a dívida em valor nominal, eu não acho que haja suporte para isso na zona do euro", disse.  

Efeitos. O resultado das eleições na Grécia deve inicialmente afetar os ativos europeus de maior risco e beneficiar os títulos soberanos da Alemanha, os Bunds, mas a União Europeia e o governo em Atenas estão "condenados" a encontrar uma solução em um prazo mais longo, de acordo com analistas do banco KBC. 

Os economistas da instituição financeira consideram que a maior parte da reação negativa deverá ser sentida nos mercados de renda fixa e de ações na Grécia, o que deve levar investidores em busca de ativos de maior segurança e ajudar na valorização dos Bunds, com consequente queda nos juros. Por outro lado, o KBC espera que o novo governo grego e a União Europeia sejam levados a acordos sobre a dívida externa do país. 

A possibilidade da Grécia deixar a zona do euro não é o cenário prioritário com o qual analistas do banco JPMorgan trabalham, mas eles já avaliam uma nova desvalorização do euro, caso isso ocorra. 

A estimativa é a de que a saída levaria a moeda comum a perder mais US$ 0,10 do seu valor. Contudo, os economistas ainda preveem um acordo entre gregos e a União Europeia ou novas eleições no país. Em ambos os casos, o banco mantém sua previsão de US$ 1,10 para o euro no primeiro trimestre de 2015.

Os economistas do UBS reconhecem que as chances da Grécia deixar a zona do euro são menores que 10%, já que a postura do partido de extrema esquerda Syriza se tornou mais branda, ainda que seus líderes planejem renegociar a dívida. 

Contudo, com o Banco Central Europeu (BCE) se negando a fornecer liquidez ao país sem que haja acordo com a Troica, o UBS acredita que o governo em Atenas deve ser forçado a firmar concordância antes que títulos importantes atinjam a maturidade, entre julho e agosto.

(Com informações da Dow Jones Newswires)

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