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Grécia nega discussão de calote de metade da dívida

Encontro com o FMI provoca especulações; líderes mundiais descartam possibilidade

ATENAS, O Estado de S.Paulo

27 de setembro de 2011 | 03h03

O governo da Grécia negou oficialmente ontem que esteja discutindo com credores internacionais um calote (default) em 50% de sua dívida soberana como parte de um plano para conter a crise na zona do euro. O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse que não discutiu a possibilidade de calote durante o encontro que manteve com autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI) durante o fim de semana, em Washington, Estados Unidos.

Segundo fontes do FMI, a Grécia estaria negociando o calote de 50% de sua dívida com os bancos. Os bancos, em compensação, teriam acesso a recursos extras, cuja fonte seria um novo pacote de resgate da União Europeia. O suposto pacote seria maior que os anteriores.

Publicamente, líderes mundiais descartam a possibilidade de moratória da Grécia. Mas relatos sugerem que há discussões para permitir que o país dê calote em parte de suas dívidas e permaneça na zona do euro.

No fim de semana, representantes do G-20 (grupo das economias mais ricas e emergentes) reafirmaram comprometimento com "uma resposta internacional forte e coordenada" à crise, mas analistas preveem semanas de volatilidade nos mercados, por causa das dúvidas dos investidores quanto à eficácia das medidas e à recuperação das economias da UE e dos EUA.

Ainda na noite de domingo, o FMI anunciou que seus inspetores retornariam à Grécia "provavelmente nesta semana", para verificar os avanços obtidos pelo governo de Atenas. O anúncio foi feito pouco depois do encontro, em Washington, entre Venizelos, e a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

O ministro disse que o país continuaria a seguir as regras do plano de austeridade para obter o próximo pacote de ajuda. Pressionada por credores internacionais, a Grécia decidiu na semana passada implementar novos cortes em pensões, impor novos impostos para pessoas de baixa renda e deixar 30 mil servidores públicos como reserva de trabalho este ano, com salários reduzidos. Cortes nos vencimentos do setor público e outras medidas também estão planejados.

Em jogo está a parcela de 8 bilhões de ajuda da União Europeia e do FMI, que a Grécia deve receber nas próximas semanas, ou ficará sem dinheiro em meados de outubro. Os credores exigiram medidas adicionais de austeridade antes de liberar a próxima parcela de auxílio.

Greve. Milhares de trabalhadores do setor público da Grécia cruzaram os braços ontem, numa greve de 24 horas. O protesto causou grandes congestionamentos em Atenas, no momento em que aumenta a oposição às reformas do governo prometidas em troca de ajuda financeira.

As duas principais centrais sindicais gregas - GSEE, do setor privado, e Adedy, do público - anunciaram ontem uma greve geral do setor público para 5 de outubro e uma greve geral nacional para 19 de outubro. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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