Grécia nega ter inflado seu déficit, em 2009

O chefe da Autoridade Helênica de Estatística (Elstat), Andreas Georgiou, defendeu hoje a agência contra acusações de que o órgão tivesse se submetido à pressão da União Europeia para usar métodos que teriam elevado seu déficit e com isso amplificar os temores em relação à dívida do país, justificando as demandas do bloco por medidas de austeridade.

GABRIEL BUENO, Agencia Estado

20 de setembro de 2011 | 16h03

"Essas alegações não têm base nenhuma", afirmou Georgiou em audiência no Parlamento da Grécia. Nos últimos dois anos, o país revisou várias vezes para cima seus números de déficit e da dívida, aprofundando uma crise que havia sido subestimada em 2009. |Pela primeira vez, no entanto, o país foi acusado de inflar sua crise.

Em outubro de 2009, após vencer as eleições, o governo do Partido Socialista revisou o orçamento daquele ano para algo em torno de 12% do Produto Interno Bruto (PIB). O dobro do apontado pela administração anterior. Uma série de revisões nos meses seguintes elevou para 15,4% do PIB esse déficit, mas o dado acabou sendo contestado recentemente por Zoe Georganta, professora de Econometria e ex-membro do conselho da Autoridade Helênica de Estatística.

Em declarações recentes, Georganta disse que o governo grego foi pressionado pela agência de estatísticas da UE, a Eurostat, para incluir os gastos de companhias públicas e empresas estatais, sem no entanto incluir suas rendas. Pelo menos mais um dos membros do comitê da Elstat acusou publicamente o chefe da agência de curvar-se à pressão da Eurostat e não apoiar visões divergentes dentro do comitê. Um promotor público teria aberto uma investigação sobre alegações.

Os números do déficit geraram temor nos mercados internacionais, forçando a Grécia a fechar um acordo em maio de 2010 para receber 110 bilhões de euros da UE e do Fundo Monetário Internacional (FMI). Sob os termos do acordo, a Grécia revisou seu serviço de estatísticas e tornou a agência independente do controle do governo. A administração foi forçada a fazer grandes cortes nos gastos, o que aprofundou a recessão nacional.

Em comunicado divulgado pouco antes da audiência no Parlamento, a Eurostat informou que não tem mais reservas quanto à qualidade dos dados econômicos e fiscais produzidos pela Grécia. "Isso é a prova do enorme progresso que a Elstat fez em sua credibilidade", afirma a nota. As informações são da Dow Jones.

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