Grécia pede mais dois anos para fazer reformas

Em reunião de ministros de Finanças, países do sul da Europa defendem plano grego, mas o norte rejeita prazo maior

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h10

O pedido do novo governo da Grécia para adiar em dois anos o cumprimento das exigências feitas por Bruxelas em troca dos resgates bilionários concedidos ao país dividiram ontem a Europa.

Ministros de Finanças da zona do euro se reuniram em Luxemburgo. De um lado, países do norte da Europa, que mantêm uma classificação de risco das mais elevadas, se mostraram hesitantes em dar mais tempo para Atenas. Já o governo socialista francês declarou abertamente que estava na hora de a Grécia ter seu plano revisado.

O novo governo de Antonis Samaras assumiu o poder na Grécia com um pedido claro: em troca do esforço que os gregos aceitaram se submeter ao votar por ele nas eleições do fim de semana, o país merecia ter o prazo para honrar suas reformas adiado em dois anos. Assim, no lugar de cumprir as metas de reformas e de cortes de gastos até 2014, os gregos teriam até 2016.

Na prática, isso exigiria que a União Europeia continuasse apoiando a economia do país com mais dinheiro, ou seja, os gregos precisariam de um terceiro resgate. Atenas prefere classificar o dinheiro de apenas um complemento de 20 bilhões.

Em troca do calote de 100 bilhões e de um resgate, os gregos teriam de aplicar reformas e fazer duros cortes nos próximos dois anos. Mas com a economia já no quinto ano de recessão e com um desemprego recorde, governantes, e mesmo outros países, alertam que a situação não seria sustentável.

Promessas. Na campanha para as eleições, partidos contrários ao pacote de resgate ganharam popularidade justamente por conta da promessa de que romperiam com as condicionalidades se fossem eleitos. Samaras apenas conseguiu reverter a opinião pública quando também passou a prometer que pediria uma revisão das condições.

Se os países do sul apoiaram a visão francesa, um bloco de economias com classificação de risco AAA deixou claro que vai resistir à ideia. "Temos de ver quanto tempo a Grécia perdeu entre campanhas eleitorais", atacou Maria Feckter, ministra austríaca, em referência às duas eleições que tiveram de ocorrer no país para determinar um governo. "Se ficar constatado que perderam muito tempo, simplesmente terão de trabalhar dobrado agora."

Uma posição também dura foi adotado pelo governo finlandês. Jan Kees de Jager, ministro de Finanças da Holanda, alertou que não havia saída para a Grécia que não seja "reformas duras e dolorosas".

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