Grécia pode ter nova ajuda de até ? 120 bi

Acordo selado ontem entre UE, FMI e Banco Central Europeu prevê aporte entre ? 100 bilhões e ? 120 bilhões no país em até 20 dias

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

25 de junho de 2011 | 00h00

A Grécia receberá um novo programa de socorro da União Europeia (UE) em até 20 dias. A informação foi confirmada ontem, em Bruxelas, pelo primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, ao término de dois dias de discussões com líderes políticos do bloco.

O pacote, avaliado entre ? 100 bilhões e ? 120 bilhões, será o segundo a beneficiar o país, que enfrenta o risco concreto de moratória e default em razão das dívidas superiores a 150% do Produto Interno Bruto (PIB).

O acordo entre a UE, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), de um lado, e a Grécia, de outro, foi selado ontem, depois que Papandreou deu garantias de que o plano de cortes de gastos de ? 28 bilhões será adotado pelo Parlamento.

A proposta, que inclui também um projeto de privatizações de até ? 50 bilhões, será encaminhada aos deputados na segunda-feira e deve ser votada até o dia 30 de junho.

No dia 3, ministros de Finanças da zona do euro vão se reunir para confirmar o desbloqueio de ? 12 bilhões relativos a mais uma parcela do primeiro empréstimo, de ? 110 bilhões, concedido em maio de 2010. Além disso, os executivos vão formalizar a nova linha de financiamentos.

Com isso, a Grécia em tese poderá honrar os títulos de sua dívida soberana, cujos vencimentos estão previstos para 2012 e 2013. A expectativa é de que o país possa retornar ao mercado privado. Hoje, o ágio cobrado pelo mercado, de até 15%, é proibitivo.

Os líderes europeus, em especial a chanceler alemã Angela Merkel, insistem na "participação privada" no socorro. Os principais bancos da Europa estão sendo consultados para, voluntariamente, adiarem o vencimento de títulos da dívida em seu poder. Quanto maior for a participação dos investidores, menor será a necessidade de a Grécia recorrer ao dinheiro dos parceiros da UE.

Montante. Para preparar o socorro, os líderes europeus também aprovaram o aumento dos recursos do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (FEEF), o órgão que emite títulos da dívida europeia para obter recursos e repassá-los aos países em crise, como Irlanda e Portugal. O total somará ? 440 bilhões. A Comissão Europeia destina ainda ? 60 bilhões em recursos próprios ao FEEF, que conta também com ? 200 bilhões do FMI. Ao todo, a Europa dispõe agora de ? 750 bilhões.

Ontem, a candidata favorita ao cargo de diretor-gerente do FMI, a ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, afirmou que não vai se mostrar leniente em relação aos países europeus em crise. "Se eu for eleita, terei um objetivo se for o caso de aportar ajuda a um membro da zona do euro: assegurar uma total coerência com a missão do Fundo e manter uma gestão inteligente e prudente dos recursos", garantiu. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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