Grécia precisará de um 'milagre' para permanecer no euro

Projeções de economistas revelam que a Grécia terá em 2013 mais um ano de recessão, o sexto consecutivo

Jamil Chade, enviado especial de O Estado de S. Paulo,

20 de setembro de 2012 | 16h00

LONDRES - A contração da economia grega só encontra equivalente a de um país em guerra. Projeções realizadas por economistas e apresentadas nesta quarta-feira em Londres revelam que a Grécia terá em 2013 mais um ano de recessão, o sexto consecutivo. No total, a produção per capita do país já sofreu uma queda de 25%.

Os dados são da Economist Intelligence Unit que compilou dados de expansão do PIB na Europa por décadas. "Só encontramos quedas equivalentes à da Grécia em países em guerra. Não há situação parecida em tempos de paz", indicou Robert Ward, diretor de Previsões Globais da Economist Intelligence Unit. Para ele, a Grécia vai precisar de um "milagre" para permanecer na zona do euro.

Outras economias também sofrem, como a Itália, que perdeu 10% de sua produção per capita. Mas os dados também apontam que a dívida pública e privada em muitos desses países dão a dimensão do problema que enfrentam. Na Grécia, esse rombo chega a 280% do PIB, e na Espanha já chega a 350%. Na Irlanda, ultrapassa 600%, de acordo com dados da EIU. No caso americano, a EIU admite que a dívida só é superada pelos números apresentados durante a Segunda Guerra Mundial. "É uma dívida de um período de guerra", alertou.

Sobre 2013, as previsões são menos pessimistas para a economia mundial, mas muito dependerá da situação na Europa e da dívida americana. "O ano de 2013 poderá até ser melhor, mas não notaremos. Na melhor das hipóteses, será um ano de estabilização com um crescimento de 2,5%", prevê a EIU, apontando para uma expansão de meros 0,4% na Europa e abaixo de 2% nos Estados Unidos.

"Estamos vivendo uma difícil recuperação. A retomada nos Estados Unidos está muito lenta e, como o Japão já mostrou, pode levar ainda anos para ocorrer", completou Ward.

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